Da Redação
“O boxe me salvou”. É dessa forma que Murilo resume a relação construída ao longo de mais de 15 anos com o esporte que transformou sua vida. Ex-atleta e atualmente treinador da equipe Guariba Boxing, ele relembra o início da trajetória, marcado por limitações físicas, preconceito e descobertas que mudariam seu caminho.
“Eu tinha um problema na perna, por isso usava um aparelho que me limitava. Encontrei um saco de pancada e uma luva velha em um quarto na fazenda. Daí para frente me apaixonei pelo boxe”, contou. O contato inicial, improvisado, foi suficiente para despertar o interesse por uma modalidade que, mais tarde, se tornaria parte central de sua rotina.
Segundo ele, o esporte teve papel importante também fora do aspecto físico. “O boxe me salvou, pois nessa época eu sofria com o preconceito de alguns por causa do aparelho que eu tinha que usar na perna”, afirmou. A prática esportiva passou a representar não apenas uma atividade, mas um espaço de pertencimento e desenvolvimento pessoal.
Murilo competiu por 13 anos e construiu uma trajetória que inclui títulos estaduais e participação em competições de nível nacional. Em 2021, no entanto, enfrentou um dos momentos mais difíceis da carreira. “Eu tive uma lesão grave, precisei passar por quatro cirurgias em um ano”, relatou. O período afastado dos ringues trouxe incertezas sobre o futuro no esporte.
A recuperação, porém, foi seguida por resultados expressivos. “Quando me recuperei, fui campeão estadual em 2022 e, no ano seguinte, consegui ser bicampeão”, disse. Ainda em 2023, teve a oportunidade de representar Mato Grosso do Sul no Campeonato Brasileiro.
“Em agosto de 2023 representei o MS no Campeonato Brasileiro, na categoria de baixo, na qual perdi 30 quilos em oito semanas. Não tive um bom desempenho porque enfrentei um atleta muito forte, o Keno Marley Machado, que é o segundo melhor do mundo”, explicou. Apesar do resultado, ele destacou o significado da participação. “Fiquei contente com minha performance e superação. Fico muito feliz de representar a cidade que eu amo.”
A relação com o esporte, segundo Murilo, vai além das conquistas. “Para mim, estar dentro do ringue é uma felicidade imensa. Foram tantas coisas que passei fora do ringue, superações e frustrações, então é mais uma luta”, afirmou.
O encerramento da carreira competitiva aconteceu no mesmo ano. “Parei de competir em 2023 por causa de dores crônicas que essas cirurgias deixaram. Fiz minha última luta na minha cidade, Maracaju”, contou.
Atualmente, Murilo segue no boxe como treinador, atuando na formação de novos atletas. Além disso, também desempenha atividades religiosas como catequista, função que, segundo ele, se conecta com sua atuação no esporte.
“Hoje, além de treinador, sou catequista também. Acredito que posso evangelizar com o meu testemunho, sendo exemplo para os demais, inclusive nesse ambiente adverso que é o boxe”, disse. Para ele, os ensinamentos vão além da técnica. “A vida do cristão é feita de lutas. Tem o Calvário, tem as dificuldades, mas devemos batalhar para chegar ao grande prêmio. Fazendo essa caminhada com fé, os fardos ficam muito mais leves.”