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Da corrida ao clique: como Letícia uniu superação e fotografia nas trilhas

da redação - 22 de jan de 2026 às 14:32 68 Views 0 Comentários
Da corrida ao clique: como Letícia uniu superação e fotografia nas trilhas Da Redação

A relação de Letícia Arruda do Nascimento com o trail run nasceu de um processo pessoal de mudança. Ela começou a treinar para o TAF do concurso dos Bombeiros e, nesse percurso, conseguiu se afastar do sedentarismo e superar um período difícil. “Ao começar meus treinos para o TAF, eu consegui sair do sedentarismo e venci uma depressão”, lembra. A corrida de rua foi o primeiro passo, após receber de amigos uma inscrição que havia sobrado por conta de uma lesão. Mas foi na trilha que ela percebeu que havia encontrado algo diferente. “Quando pisei na trilha... aí meus olhos brilharam de verdade. O que me ganhou foi a conexão com a natureza.”

 

A memória afetiva da infância no sítio dos avós é um dos elementos que sustenta esse vínculo, assim como a percepção de que correr no mato envolve mais do que preparo físico. “No trail você não corre só com as pernas, a mente e a alma têm que estar ali, presentes e respeitando cada raiz e pedra no caminho”, afirma. Essa relação com a natureza se tornou também parte do trabalho dela, já que Letícia uniu o esporte à fotografia, outra área que já a acompanhava antes das competições.

 

A fotografia entrou na rotina como um hobby, especialmente voltado à lua e às paisagens. A transição para a fotografia esportiva veio com a dica de um amigo. “Ele me deu o toque de me cadastrar em uma plataforma de fotografia esportiva. Eu já estava correndo, então resolvi testar”, conta. A partir daí, ela percebeu que poderia juntar as duas práticas. “A fotografia esportiva me permite eternizar a superação que eu mesma sinto na pele.”

 

Para Letícia, a experiência como corredora interfere diretamente no olhar de fotógrafa. “Por praticar o esporte, eu antecipo o movimento”, explica. O objetivo é registrar momentos que expressem esforço e sintonia com o ambiente. “Busco ângulos que valorizam não só o atleta, mas a imponência da natureza ao redor.” Esse entendimento do terreno se reflete no modo como se posiciona em provas e no cuidado com os equipamentos. Ela destaca que o preparo físico é tão importante quanto a câmera. “Meu equipamento número um é o meu condicionamento físico”, diz. A prática com técnicas de movimentação, aprendidas na assessoria esportiva, também faz diferença. “Saber onde e como pisar com segurança levando o equipamento nas mãos faz muita diferença.”

 

A rotina entre treinos, provas e registros fotográficos é marcada por escolhas. Em alguns eventos, Letícia decide correr; em outros, apenas fotografa. Às vezes, faz as duas coisas no mesmo dia. “Tem prova que eu corro 7 km, pego minha medalha e, sem respirar direito, já pego a câmera e saio correndo de novo.” Ela resume esse processo como um “duplo treino”, que exige fôlego e organização.

 

Entre as experiências mais marcantes, Letícia cita a prova na Serra da Bodoquena em 2024. A largada ocorreu sob chuva intensa, com terreno escorregadio e trechos de rio. “Acho que não sobrou um atleta sem cair”, relata. Apesar das dificuldades, ela guarda lembranças positivas do clima entre os competidores e da sensação de completude ao final, quando ainda conquistou um pódio na categoria.

 

A relação com o risco no trail run é tratada com atenção. “Eu trato a trilha com o maior respeito do mundo”, afirma. Em condições climáticas difíceis ou em terrenos mais técnicos, ela se concentra em manter a calma. “Eu escuto meu corpo e foco na técnica.” Os treinos ajudam a saber reagir a diferentes cenários e a lidar com imprevistos sem perder a segurança.

 

Como fotógrafa, Letícia busca contar histórias que ultrapassam o registro de performance. “Quero mostrar que a vida está acontecendo ali, no agora”, afirma. As imagens procuram refletir processos de superação, sejam eles físicos, emocionais ou cotidianos. “Quero capturar aquele brilho no olho de quem se descobriu forte através do esporte.”

 

Sobre o desenvolvimento do trail run no Brasil, ela destaca o valor da comunidade e do apoio mútuo entre atletas. Para ela, o crescimento da modalidade depende também de incentivos e de uma cultura de cuidado ambiental. “O esporte só faz sentido se a gente cuidar das trilhas que nos dão tanta alegria”, observa. Estrutura e respeito ao meio ambiente caminham juntos, segundo Letícia.

 

A corredora e fotógrafa projeta objetivos para os próximos anos. No esporte, planeja conhecer novas regiões e encarar terrenos diferentes. Na fotografia, quer ampliar o alcance do seu trabalho. Em ambos, o ponto central é manter a relação transformadora que encontrou no trail. “Quero seguir provando que o esporte cura, que a natureza acalma e que nunca é tarde para mudar a nossa história.”

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