Da Redação
“Crossfit não é apenas um esporte, e sim uma comunidade”. A definição é da atleta Maiara Martins Mesquita, de 20 anos, natural de São Gabriel do Oeste, no interior de Mato Grosso do Sul. Praticante da modalidade há poucos anos, ela encontrou no esporte um ambiente de amizade, competitividade e desenvolvimento pessoal, fatores que a fizeram permanecer nos treinos e buscar evolução dentro das competições.
Maiara nasceu em 16 de agosto de 2005 e já teve contato com diferentes modalidades esportivas ao longo da vida, como handebol, vôlei e ballet. Atualmente, divide a rotina entre o crossfit e o beach tênis, mas foi no treinamento funcional de alta intensidade que encontrou identificação.
“O crossfit entrou como um complemento para a musculação. A intenção inicial era fazer apenas por um tempo, até melhorar a qualidade do físico. Entretanto, me apaixonei pelo esporte e participei do meu primeiro campeonato depois de dois ou três meses da primeira aula”, contou.
A rápida entrada nas competições ajudou a fortalecer a relação com a modalidade. Segundo Maiara, a experiência de participar pela primeira vez de um campeonato foi determinante para que ela entendesse o ambiente competitivo e passasse a se dedicar ainda mais aos treinamentos.
“Meu primeiro campeonato trouxe a emoção de entrar na arena pela primeira vez, de ter pessoas torcendo por você e companheiras de equipe com quem pude compartilhar frustrações e inseguranças. Apesar de não ganhar, aquilo me fez querer treinar e me esforçar ainda mais”, afirmou.
Mesmo envolvida com o esporte, a atleta relata que praticar modalidades competitivas no interior ainda representa um desafio para muitos jovens. Para ela, existe uma dificuldade de acesso a oportunidades e visibilidade fora dos grandes centros do Estado.
“Acredito que a maior dificuldade em ingressar no esporte em cidade do interior é a falta de oportunidade para crescimento na sua cidade natal. A maioria dos esportes só tem visibilidade em Campo Grande”, disse.
No caso específico do crossfit, Maiara avalia que ainda existe preconceito por parte de algumas pessoas em relação à modalidade. Segundo ela, os movimentos técnicos e a exigência física acabam gerando interpretações equivocadas sobre a prática.
“As pessoas ainda possuem um pouco de preconceito com o esporte, por possuir movimentos que, em sua essência, priorizam a performance e a exigência técnica. Sendo assim, é um esporte que possui pouco incentivo público e poucos praticantes em cidades menores”, relatou.
Ao longo da trajetória no crossfit, Maiara participou de diferentes competições. Entre elas, duas tiveram significado especial: o Frontline Games, seu primeiro campeonato, e o Raça Games, competição mais recente da qual saiu campeã em equipe.
“Todas foram importantes para o meu crescimento como atleta, mas o meu primeiro campeonato e o último foram excepcionais para que eu me esforçasse cada vez mais”, comentou.
Ela lembra que, no campeonato mais recente, conseguiu perceber evolução física e emocional em relação às primeiras experiências competitivas.
“No último campeonato eu estava mais segura do que tinha que ser feito e do meu preparo físico. Em uma categoria acima, ganhamos em primeiro lugar, ficando em primeiro em quase todas as provas, e isso foi muito gratificante”, contou.
Entre os momentos marcantes da competição, Maiara destaca uma prova de repetição máxima de carga, conhecida no esporte como RM. Segundo ela, conseguiu superar uma marca que não havia alcançado durante os treinos.
“A parte mais importante para mim nesse campeonato foi a prova de RM. Consegui fazer três squat snatch com 65 quilos, carga que eu não tinha conseguido fazer nos dias de teste”, lembrou.
Atualmente, a atleta vive uma nova fase. Grávida, Maiara afirma que o foco deixou de ser o alto rendimento momentaneamente para priorizar a saúde e a manutenção da qualidade física conquistada ao longo dos treinamentos.
“Hoje pratico crossfit, RiseX e musculação. O objetivo agora é manter as cargas e o máximo de performance que adquiri até aqui. Devido à minha gestação, o foco agora é me manter saudável, sem grandes metas a serem cumpridas”, explicou.
Antes da gravidez, ela seguia uma rotina mais intensa de preparação esportiva, com acompanhamento específico voltado para performance e fortalecimento muscular.
“Antes da gestação, fazia planilha de performance com a minha coach, Cintia Marcon, e seguia um plano de consultoria para manutenção e fortalecimento na musculação com o Luiz Henrique Barbosa”, disse.
Para Maiara, uma das principais características necessárias para quem deseja evoluir no crossfit é a persistência. Segundo ela, os movimentos exigem adaptação constante e evolução gradual.
“O crossfit é um esporte que exige paciência. Os movimentos são diferentes de todos os outros esportes convencionais. Cada pessoa terá pontos fortes e fracos diferentes, então é importante ter consciência e paciência para melhorá-los”, afirmou.
A atleta também falou sobre a relação com a disciplina e o desgaste físico provocado pelos treinos intensos. Segundo ela, entender os limites do corpo é parte importante do processo.
“A constância caminha junto da disciplina. Nem todos os dias vão ser bons, mas os treinos precisam ser feitos. O desgaste físico é comum, treinar com dor vira hábito, mas é importante saber ouvir o corpo para evitar possíveis lesões”, pontuou.
Além do desenvolvimento físico, Maiara acredita que o crossfit teve impacto direto na saúde mental e nas relações pessoais construídas ao longo dos anos dentro do ambiente esportivo.
“Crossfit não é apenas um esporte, e sim uma comunidade, aberta a todos os públicos. Não visa apenas performance, mas também cria um ambiente de amizade e competitividade saudável. Nele criei várias amizades que carrego comigo desde o primeiro contato e pretendo manter para sempre”, declarou.
Mesmo vivendo o período da gestação, a atleta já projeta o retorno às competições após o nascimento da filha. Entre os objetivos, está a retomada dos treinos de alta intensidade e a recuperação da performance.
“Meus próximos objetivos serão retomar os treinos de alta intensidade e recuperar a performance após o nascimento da minha filha, já pensando em retornar aos campeonatos ainda este ano”, afirmou.
Para quem pretende iniciar no crossfit, Maiara deixa uma orientação baseada na própria experiência dentro da modalidade.
“Não deixe de tentar porque não conseguiu na primeira, segunda ou terceira vez. Ame o processo e amará o esporte”, finalizou.