Da Redação
“A evolução não é só correr mais rápido, mas ter constância e equilíbrio.” A frase resume a forma como Laura Kato Loureiro passou a enxergar a corrida ao longo dos últimos anos. Nascida em 9 de março de 2004, a atleta de Mato Grosso do Sul concilia a prática do esporte com a formação em fisioterapia, área que também passou a influenciar diretamente sua rotina de treinos e a maneira como interpreta os limites do corpo.
A relação com a corrida começou de forma simples, motivada pelo cuidado com a saúde e pela companhia da irmã. O que inicialmente era apenas uma atividade física acabou se transformando em hábito e, depois, em paixão.
“A corrida entrou na minha vida para cuidar da minha saúde, para não ficar parada. Comecei junto com a minha irmã e depois não paramos mais. Nos apaixonamos desde a primeira corrida que participamos”, relata.
Com o passar do tempo, Laura passou a competir em provas de rua e a incluir o esporte de forma estruturada em sua rotina. Paralelamente, a formação acadêmica trouxe uma nova perspectiva sobre o treinamento.
Atualmente no último ano de fisioterapia, ela afirma que o conhecimento adquirido na graduação alterou a forma como encara o processo de preparação física.
“A fisioterapia mudou muito a forma como eu vejo meus treinos e as competições. Como acadêmica do último ano, passei a entender melhor o funcionamento do corpo e a importância de cuidar dele para continuar fazendo o que amo”, explica.
Segundo ela, a mudança não está apenas na parte técnica dos treinos, mas também na forma de avaliar o próprio desempenho. O foco deixou de ser apenas tempo e resultado em provas.
“Hoje não enxergo a corrida só como performance ou tempo de prova. Aprendi a valorizar o processo: o fortalecimento, o descanso, a prevenção de lesões e, principalmente, escutar os sinais do meu próprio corpo”, afirma.
Esse olhar também influencia as orientações que costuma compartilhar com pessoas que estão começando a correr. De acordo com Laura, muitos corredores iniciantes acabam se lesionando por erros simples, geralmente relacionados ao excesso de intensidade no início da prática.
“Um dos principais cuidados é respeitar o tempo do corpo. Muitas pessoas começam empolgadas e aumentam a distância ou a intensidade muito rápido. O ideal é evoluir aos poucos, permitindo que o corpo se adapte à corrida”, diz.
Ela destaca ainda a importância do fortalecimento muscular como parte da preparação para a corrida, especialmente na região de membros inferiores e quadril.
“O fortalecimento ajuda na estabilidade durante a corrida e reduz bastante o risco de lesões”, explica.
Outro ponto citado é o descanso entre os treinos. Segundo a fisioterapeuta em formação, o período de recuperação faz parte do desenvolvimento físico do atleta.
“O corpo precisa de tempo para se recuperar entre os treinos, e é nesse momento que acontece a adaptação e o ganho de desempenho”, afirma.
Na prática clínica e nos estudos da área, Laura também observa um padrão nas lesões mais frequentes entre corredores.
“As lesões mais comuns são fascite plantar, síndrome da banda iliotibial, tendinopatia do tendão de Aquiles e canelite”, relata.
Ela explica que muitas dessas lesões estão associadas a erros comuns cometidos por quem começa a treinar sem orientação adequada.
“Um erro muito comum em quem começa a correr por conta própria é querer evoluir rápido demais. A pessoa acaba aumentando a distância, o ritmo e até a frequência dos treinos, porque o condicionamento cardiovascular se adapta mais rápido do que músculos, tendões e articulações. Isso pode levar a lesões”, afirma.
Além disso, ela observa que etapas simples da preparação costumam ser negligenciadas.
“Também é comum, na correria do dia a dia, pularem o aquecimento ou esquecerem de fazer alongamento depois do treino. O aquecimento ajuda o corpo a entrar no ritmo, preparando músculos e articulações para o esforço”, explica.
Conciliar a rotina acadêmica e os estágios da fisioterapia com a preparação para provas exige planejamento. Laura afirma que a organização do tempo é um dos principais desafios.
“Conciliar a rotina da fisioterapia com os treinos exige bastante organização, principalmente por causa do estágio. Procuro planejar bem os meus horários para conseguir manter uma rotina equilibrada”, conta.
Nem sempre os treinos acontecem nos mesmos períodos do dia, já que precisam se adaptar às demandas da formação profissional.
“Normalmente adapto meus treinos para outros períodos do dia, como à tarde ou à noite, e tento manter uma constância mesmo com a rotina mais corrida”, diz.
Para ela, além da atividade física, a corrida também funciona como momento de pausa dentro da rotina diária.
“A corrida acaba sendo um momento de cuidado comigo mesma, de aliviar o estresse do dia e recarregar as energias”, afirma.
Laura também acompanha o crescimento da corrida de rua em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, o aumento de provas e de participantes demonstra que o esporte vem atraindo novos praticantes.
“Vejo que a corrida de rua vem crescendo muito em Mato Grosso do Sul. Cada vez mais pessoas procuram o esporte não só pela performance, mas também pela saúde e qualidade de vida”, observa.
Na avaliação dela, a corrida reúne benefícios que vão além da parte física.
“No aspecto físico, melhora o condicionamento, fortalece a musculatura e contribui para uma rotina mais ativa. Mas um dos pontos que mais se destacam é o impacto na saúde mental”, afirma.
Ela relata que muitos corredores utilizam o esporte como forma de lidar com o estresse cotidiano.
“Muitas pessoas encontram na corrida uma forma de aliviar o estresse, reduzir a ansiedade e ter um momento para organizar os pensamentos”, diz.
Ao longo da trajetória como atleta, algumas experiências marcaram sua relação com o esporte. Entre elas, a conquista do primeiro pódio.
“Uma das conquistas que marcou muito foi o meu primeiro pódio, que aconteceu na corrida do Circuito Sesc. Foi um momento especial, porque representou todo o esforço e dedicação aos treinos”, lembra.
Outro momento importante aconteceu no ano passado, quando estabeleceu uma meta pessoal relacionada à distância.
“Uma das maiores conquistas foi quando consegui completar 21 quilômetros com 21 anos. Era uma meta que eu tinha para mim e conseguir realizar isso foi muito emocionante dentro da minha trajetória na corrida”, relata.
Para quem ainda pensa em começar a correr, Laura defende que o primeiro passo é não transformar o início da prática em uma cobrança por resultados.
“Começar aos poucos e respeitar o seu próprio ritmo. No início não precisa pensar em distância ou velocidade. O mais importante é criar o hábito e aproveitar o processo”, orienta.
Ela também destaca que a motivação pode surgir a partir de objetivos simples ou da convivência com outros corredores.
“Ajuda muito ter companhia, participar de um grupo de corrida ou ter algum objetivo, como uma prova no futuro. Isso acaba trazendo mais motivação e deixando o caminho mais leve”, afirma.