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“Cada passo foi uma forma de cuidar de mim”, diz corredora que encontrou na corrida um caminho após o luto

da redação - 2 de jun de 2026 às 14:01 184 Views 0 Comentários
“Cada passo foi uma forma de cuidar de mim”, diz corredora que encontrou na corrida um caminho após o luto Da Redação

“Cada passo foi uma forma de cuidar de mim e de resgatar minha própria essência.” A frase resume a relação que a corredora Débora Melo da Costa construiu com a corrida de rua ao longo dos últimos anos. Natural de Nioaque (MS), onde nasceu em 17 de fevereiro de 1993, ela encontrou no esporte um espaço de reconstrução pessoal em um dos momentos mais difíceis de sua vida.

 

A aproximação com a corrida aconteceu após a perda da mãe e do irmão no mesmo ano. O que começou como uma tentativa de encontrar equilíbrio emocional acabou se transformando em uma prática permanente, capaz de influenciar diferentes aspectos de sua vida.

 

“A corrida entrou na minha vida em um momento em que eu precisava me reencontrar depois de perder minha mãe e meu irmão no mesmo ano. Comecei buscando saúde emocional, mas encontrei algo muito maior: um espaço de silêncio, força e autoconhecimento. Cada passo foi uma forma de cuidar de mim e de resgatar minha própria essência”, contou.

 

Com o passar do tempo, a atividade deixou de ser apenas uma forma de exercício físico e passou a ocupar um papel central em sua rotina. Segundo Débora, a percepção dessa mudança aconteceu quando ela passou a sentir falta da corrida não apenas fisicamente, mas também emocionalmente.

 

“Percebi quando correr deixou de ser uma escolha ocasional e passou a ser uma necessidade emocional. Nos dias difíceis, era a corrida que me sustentava. Quando não corria, sentia falta, como se algo essencial estivesse ausente.”

 

A trajetória, entretanto, não foi construída sem obstáculos. Assim como muitos iniciantes, ela precisou enfrentar inseguranças e aprender a respeitar o próprio processo de evolução.

 

“O maior desafio foi acreditar em mim mesma. Lidar com o cansaço, com a insegurança e com a comparação foi difícil, mas aprendi que cada corpo tem seu tempo e cada conquista, por menor que pareça, merece ser celebrada.”

 

Hoje, sua rotina de treinos é baseada no equilíbrio entre esforço e recuperação. Ela afirma que aprendeu a ouvir os sinais do próprio corpo e a entender que a preparação vai além da busca por resultados em competições.

 

“Minha rotina é construída com respeito e escuta. Existem dias de intensidade e dias de pausa, porque aprendi que o corpo fala e precisa ser ouvido. Cada treino é um compromisso comigo mesma, não apenas com uma prova.”

 

Embora tenha participado de diferentes eventos ao longo da trajetória, Débora destaca que as primeiras provas continuam sendo as mais significativas. Para ela, o principal desafio não estava na distância percorrida ou no tempo registrado, mas na superação de barreiras pessoais.

 

“As primeiras provas foram as mais marcantes, porque ali eu venci medos que ninguém via. Cruzar a linha de chegada não era sobre tempo; era sobre provar para mim mesma que eu era capaz.”

 

Os benefícios proporcionados pela corrida também ultrapassaram a dimensão esportiva. Segundo a corredora, a modalidade contribuiu diretamente para seu equilíbrio emocional e para o desenvolvimento da autoconfiança.

 

“A corrida me fortaleceu por dentro. Ela me ensinou a respirar fundo, a persistir e a confiar no processo. Hoje, sou mais equilibrada, mais confiante e mais grata por tudo que meu corpo é capaz de fazer.”

 

Ao observar o cenário da corrida de rua em Mato Grosso do Sul, Débora avalia que o crescimento da modalidade está relacionado não apenas ao aumento do número de praticantes, mas também ao fortalecimento de uma comunidade que compartilha experiências e incentiva novos corredores.

 

“Vejo um movimento lindo de pessoas se encontrando através da corrida. Mais do que números, vejo histórias, superações e uma comunidade que acolhe e incentiva. Isso mostra o quanto o esporte transforma vidas.”

 

Para quem deseja começar a correr, ela acredita que a principal orientação é respeitar os próprios limites e evitar comparações.

 

“O principal cuidado é respeitar o próprio ritmo. Não ter pressa, não se comparar e entender que cada passo importa. Correr é um processo de amor-próprio e paciência.”

 

“Minha família, especialmente meus filhos Nicolli, Pedro e Clara, são minha maior motivação. Eles estão presentes em cada conquista e me dão forças para seguir em frente. Meus amigos também são minha base, mas tenho pessoas muito especiais que marcaram profundamente minha trajetória. Adriano e Thais foram os primeiros a me apoiar de verdade. Eles acreditaram em mim antes mesmo de eu acreditar em mim mesma.”

 

Débora destaca que o apoio recebido ao longo da caminhada foi fundamental para que ela permanecesse firme no esporte, principalmente nos momentos de dificuldade. Segundo ela, a rede de incentivo construída ao redor da corrida teve papel importante em sua evolução pessoal e esportiva.

 

“Na corrida, encontrei pessoas que viraram família. A Paulinha é uma delas, minha companheira desde o primeiro treino e da primeira prova. Seguimos juntas até hoje, compartilhando desafios, conquistas e aprendizados. Cada palavra de incentivo, cada sorriso e cada ‘vai dar certo’ me lembram todos os dias que eu não corro sozinha.”

 

Para a corredora, os resultados alcançados não são fruto apenas do esforço individual, mas também do apoio das pessoas que estiveram ao seu lado em diferentes momentos da trajetória. Ela afirma que o incentivo recebido da família, dos amigos e dos companheiros de corrida foi decisivo para fortalecer sua confiança e manter viva a vontade de continuar evoluindo dentro do esporte.

 

Olhando para o futuro, Débora afirma que seu principal objetivo é continuar praticando a modalidade com saúde e propósito, buscando evolução constante e novas experiências.

 

“Meu maior sonho é continuar correndo com saúde e propósito. Quero evoluir, viver novas experiências e, principalmente, inspirar outras pessoas a acreditarem que elas também podem. A corrida me ensinou que não existem limites quando a gente acredita.”

 

Ao encerrar a entrevista, a corredora ressaltou a importância da fé em sua trajetória e atribuiu a Deus a força necessária para enfrentar os desafios que encontrou ao longo do caminho.

 

“Sou profundamente grata a Deus por cada passo dessa caminhada. Foi Ele quem me deu força nos dias difíceis, saúde para continuar e coragem para não desistir. A corrida me ensinou muito, mas tudo começa e termina em Deus. Cada treino, cada prova e cada conquista eu entrego nas mãos d’Ele, porque sem Ele nada disso seria possível.”

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