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“Cabeça erguida”: jovem atleta relata desafios e aprendizados no vôlei fora dos grandes centros

da redação - 29 de jan de 2026 às 10:54 76 Views 0 Comentários
“Cabeça erguida”: jovem atleta relata desafios e aprendizados no vôlei fora dos grandes centros Da Redação

Quando fala sobre o início no vôlei, Otávio Eduardo Matos da Silva resume um processo de amadurecimento que ainda está em curso, mas que já deixou marcas claras. “O vôlei entrou na minha vida quando uma menina me apresentou esse esporte, mas depois de uns meses eu percebi que ia muito além disso”, conta o jovem atleta, nascido em 26 de março de 2008. A frase funciona como ponto de partida para entender como o esporte deixou de ser apenas uma atividade ocasional e passou a ocupar um espaço central na sua rotina, nas suas decisões e na forma como ele encara desafios.

 

A relação com o vôlei não foi construída sem obstáculos. Otávio relembra que, no começo, conviveu com sentimentos de insegurança, medo de errar e poucas oportunidades. “Eu era inseguro, tinha medo de errar, não tinha oportunidades direito, me deixavam de lado muitas vezes”, relata. Segundo ele, aprender a lidar com esse cenário exigiu tempo e controle emocional. “Fui lidando com isso ao decorrer do tempo, com calma e a cabeça erguida”, afirma. A postura de insistir, mesmo quando o espaço parecia restrito, acabou se tornando parte da sua formação esportiva.

 

Atuar fora dos grandes centros do voleibol brasileiro também impõe limites claros. Para Otávio, a principal dificuldade está na visibilidade. “Fora dos grandes centros, o maior desafio é a falta de visibilidade e investimento”, explica. Ao mesmo tempo, ele aponta que essa condição acaba moldando o perfil dos atletas que seguem no esporte. “Em compensação, isso nos torna mais resilientes e valorizamos cada oportunidade de representar nosso estado e mostrar nosso potencial”, diz. A fala revela uma percepção precoce sobre o contexto em que está inserido e sobre o peso de cada chance que surge.

 

A rotina de treinos é organizada com atenção aos detalhes. Otávio treina três vezes por semana, além da preparação física. “Tenho uma rotina cuidadosa, treino três vezes na semana, fora a preparação física. Fico bem atento nas coisas que erro e procuro não cometê-las novamente”, relata. O foco não está apenas na repetição, mas na observação constante do próprio desempenho, buscando correções que façam sentido no jogo.

 

A formação esportiva começou em Nova América, distrito do município de Caarapó, onde participou de uma escola de vôlei. “Comecei a participar de uma escola em Nova América, município de Caarapó, com o treinador Fernando Trilha. Ele me ensinou muitas coisas sobre o vôlei”, conta. Com o passar dos anos, veio a mudança para Vicentina, que marcou uma nova fase. “Depois de uns anos me mudei para Vicentina. Desde então estou aqui com o treinador Bryan Rodrigues”, explica. Segundo Otávio, esse período trouxe uma compreensão mais ampla do esporte. “Aqui consegui ter mais mentalidade sobre o esporte, mais noção e mais visão de jogo.”

 

O apoio familiar aparece como um fator constante ao longo desse processo. “Minha família me incentiva a continuar no esporte, e assim eu continuo indo com a cabeça erguida”, afirma. Para ele, o incentivo vai além do aspecto emocional e se reflete na disposição de seguir tentando, mesmo diante das incertezas comuns a quem ainda está em formação.

 

Quando resume o que o vôlei representa fora da quadra, Otávio destaca valores que passaram a orientar sua rotina. “Mentalidade, foco e esforço”, lista. Ele reconhece que o esporte exige responsabilidade diária. “Tem que ter cabeça para isso, porque cada dia é o dia de você ter sua responsabilidade de fazer o seu”, diz. O compromisso com o treino e com a própria evolução aparece como algo que ele entende como necessário, independentemente do cenário.

 

Sobre o futuro, o discurso é direto e realista. “Me esforço ao máximo para procurar oportunidade, não só isso, mas receber oportunidade também”, afirma. Ele reconhece que o caminho ainda está em construção e que as metas não se limitam ao presente. “Isso é só por agora, mais para frente também”, completa, indicando que o planejamento segue aberto, acompanhado de expectativa e cautela.

 

Ao falar com outros jovens que sonham em seguir no esporte, Otávio não adota um tom de promessa fácil. A mensagem é baseada na própria vivência. “Não desista dos seus sonhos, coloque na sua cabeça que você consegue. Se esforce, mantenha o foco que você vai longe, pode ter certeza”, afirma.

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