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Brayam Neves e a construção de um projeto de lutas no interior do Estado

da redação - 5 de abr de 2026 às 16:55 118 Views 0 Comentários
Brayam Neves e a construção de um projeto de lutas no interior do Estado Da Redação

“Desistir não é uma opção.” A frase resume a filosofia de trabalho do professor de muay thai e kickboxing Brayam Neves Olidio, nascido em 6 de dezembro de 1989, na cidade de Jardim (MS). Criado em Bonito até 2008, ele se mudou para Porto Murtinho ao servir o Exército Brasileiro, cidade onde hoje está localizado o seu centro de treinamento e onde consolidou um projeto voltado à prática das lutas em pé.

 

Brayam relata que o contato com as artes marciais começou cedo. “Treino artes marciais desde os meus 9 anos de idade”, afirma. A iniciação foi no jiu-jitsu, na Academia Físico e Forma, sob orientação dos professores Jorge Luiz de Figueiredo e Pinho, onde permaneceu até os 13 anos. Foi nessa fase que iniciou também os treinamentos de karatê, muay thai e kickboxing com o professor Sergio Freitas.

 

A mudança para Porto Murtinho, em 2008, interrompeu temporariamente a rotina de treinos. “Fiquei parado, pois na cidade não tinha academia, mas sempre mantinha, juntamente com a rotina militar, treinos esporádicos de lutas em pé”, relata. O retorno efetivo às atividades ocorreu em 2019, em um contexto familiar.

 

Segundo ele, a retomada começou quando sua esposa precisou perder peso para realizar uma cirurgia. “Decidi retornar aos treinos efetivamente, com a supervisão à distância do professor Sergio”, conta. O que começou como uma iniciativa doméstica ganhou proporção. “Reuni alguns amigos na varanda de casa e iniciamos nossos treinos. Nesse cenário, me identifiquei com a arte de ensinar.”

 

Paralelamente aos treinos, Brayam ingressou na faculdade de Educação Física. Em pouco tempo, o grupo cresceu. “Conseguimos juntar na varanda uns 14 alunos e, como o espaço era pequeno, decidimos construir, nos fundos de casa, um salão que se tornou nosso centro de treinamento.” A estrutura passou a receber alunos de diferentes idades, incluindo crianças a partir dos seis anos.

 

Durante o processo de formação, ele contou com apoio de outros profissionais. “Como eu ainda não era faixa-preta, contei com a ajuda e supervisão de vários professores que nos apoiaram com seminários e orientações, até chegar à faixa-preta de kickboxing e de muay thai.” Entre as referências citadas, destaca o professor Kallew, conhecido como “Faísca”. “Teve um papel importante na minha formação, não mediu esforços em passar seu conhecimento e apoio.”

 

A trajetória no interior do Estado impôs desafios. “No meu caso, foi o fato de nossa cidade não ter academia de lutas e ficarmos afastados dos grandes centros, tornando mais desafiadora a busca pelo conhecimento e aperfeiçoamento técnico.” Ele também aponta uma dificuldade recorrente entre equipes e atletas: “A falta de apoio financeiro para participação em competições.”

 

Ao falar sobre o impacto das modalidades em sua vida, Brayam relaciona a prática a aspectos além do esporte. “Costumo dizer que o kickboxing e o muay thai, na minha vida, são instrumentos que Deus usa para meu aperfeiçoamento mental, desenvolvendo disciplina, resiliência e constância em todos os projetos que realizo.”

 

A filosofia de ensino segue essa linha. “Minha filosofia é baseada em princípios e valores cristãos, onde o respeito, a disciplina e o espírito de perseverança são vivenciados no tatame e fora dele. Nosso lema é: desistir não é uma opção.” Ele afirma que a metodologia aplicada foi construída ao longo dos anos. “Desenvolvi com o acúmulo de conhecimento desde os meus 9 anos, com vários professores e seminários. Conseguimos padronizar o desenvolvimento técnico dos alunos, e ela é apta para todas as idades.”

 

Atualmente, o centro de treinamento atende cerca de 65 alunos, entre homens, mulheres e crianças. “Na nossa região, o público está mais voltado à qualidade de vida”, explica. Segundo ele, muitos procuram as aulas para sair do sedentarismo. “Os benefícios físicos são inúmeros, como resistência cardiovascular, mobilidade, flexibilidade, força e emagrecimento. Além disso, os alunos levam disciplina, foco e determinação para fora do tatame.”

 

Entre os casos que marcaram sua trajetória, Brayam cita o de um aluno chamado Antonio, conhecido como Toninho. “Ele iniciou conosco um pouco antes da pandemia, com obesidade em grau elevado e diabetes.” Durante o período crítico da Covid-19, o aluno foi internado. “Ficou 15 dias entubado e, com a graça de Deus e os treinos, se recuperou. O médico que o acompanhou disse que ele conseguiu resistir aos procedimentos por estar praticando kickboxing, que desenvolveu uma boa resistência cardiovascular.” Toninho segue treinando na academia.

 

Sobre o cenário estadual, ele avalia que houve crescimento após a pandemia. “As lutas ganharam destaque no nosso Estado, com bons eventos e professores.” Como exemplo, cita a Federação de Kickboxing, presidida por Joemeson, que, segundo ele, “vem realizando um trabalho que tem atraído mais adeptos à arte”.

 

Para o futuro, o objetivo é ampliar o alcance do projeto. “Tenho como meta agregar o maior número de alunos possível para disseminar a prática das lutas em nossa cidade e formar atletas para disputas regionais, nacionais e internacionais.”

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