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Base limitada e sonho alto: atleta de Campo Grande relata desafios no futebol

da redação - 1 de abr de 2026 às 15:40 38 Views 0 Comentários
Base limitada e sonho alto: atleta de Campo Grande relata desafios no futebol Da Redação

“Difícil chegar, estando em MS.” A frase resume o cenário descrito por Yan Kaique Cardoso dos S. Moura, atleta de futebol nascido em Campo Grande, que desde cedo tenta construir uma trajetória no esporte. Lateral-esquerdo de perfil ofensivo, ele relata as dificuldades enfrentadas por jogadores da base sul-mato-grossense em busca de espaço no cenário nacional e aponta limitações estruturais na formação esportiva local.

 

Nascido em 28 de setembro de 2008, Yan começou no futebol ainda criança, em projetos sociais de bairro. “Comecei como todo atleta, em projetos de bairro ligados ao futebol. Comecei no Projeto Nota 10, com o professor Onça. Desde os cinco anos nos campos, sempre quis ser jogador de futebol profissional”, afirma. Segundo ele, o desejo de seguir carreira nunca foi dúvida. “Luto todo dia para o projeto dar certo. É minha meta de vida desde sempre.”

 

Ao longo do desenvolvimento como atleta, a busca por oportunidades fora do Estado se tornou um passo necessário. “Para ter mais experiência, fui bem cedo atrás de oportunidades fora do Estado. Infelizmente, aqui em MS não tem muitas portas para atletas de base com o alto rendimento que o futebol brasileiro exige lá fora”, diz. A avaliação reforça um movimento comum entre jovens atletas da região, que deixam o Estado em busca de maior visibilidade e estrutura.

 

Durante esse processo, Yan chegou a morar por um período em Minas Gerais, onde teve contato com equipes de maior projeção. “Destaco participações que fiz quando morei por um ano em Minas Gerais para jogar. Joguei contra grandes clubes, como o Flamengo, fazendo marcação contra um atleta que jogou até na seleção sub-17”, relata.

 

Apesar das experiências, ele aponta que o caminho envolve dificuldades além do campo. “Com toda certeza, a pior fase do atleta de base é quando precisa sair da sua casa e ficar alojado. São muitos momentos difíceis, principalmente ficar longe da família”, afirma. O suporte familiar, segundo ele, é um dos pilares para continuar. “Com toda certeza, meus pais e meu irmão são as pessoas mais importantes. Sempre estiveram ao meu lado em jogos, treinos e decisões.”

 

Dentro de campo, o atleta descreve seu perfil de jogo como participativo no ataque, sem abrir mão das responsabilidades defensivas. “Como lateral-esquerdo, tenho estilo de jogo ofensivo, mas sempre atento na defesa quando necessário. Procuro sempre ser o elemento surpresa no suporte ao ataque, dando cruzamentos e assistência sempre que possível.”

 

Fora das quatro linhas, a rotina inclui treinamentos complementares, como forma de suprir lacunas que ele identifica na preparação local. “Procuro sempre fazer o extracampo, ou seja, treinar sozinho, academia e treinos de força e explosão. Infelizmente, a base em MS não tem treinos de alta intensidade como o futebol exige. Tem que fazer o complemento”, explica.

 

A análise se estende ao cenário estadual, que, na visão do jogador, precisa de avanços estruturais. “Falta investimento na preparação física, que é o principal para o futebol moderno. Os clubes não têm esse treinamento como é exigido lá fora. É bem difícil se manter com esse treinamento básico que fazemos aqui em MS”, afirma.

 

Como referência no futebol, Yan cita o português Cristiano Ronaldo. “É dedicado dentro e fora do campo, assim como levo minha carreira. Sou extremamente focado”, diz.

 

Ainda em formação, o atleta mantém objetivos definidos. “Meu objetivo sempre foi ser jogador profissional. Essa é a meta, é onde quero chegar. Como todo jogador, sonho um dia poder viver só do futebol.”

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