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“Até onde será que eu consigo chegar?”: Borges relata trajetória da corrida às ultradistâncias

da Redação - 7 de set de 2026 às 07:00 254 Views 0 Comentários
“Até onde será que eu consigo chegar?”: Borges relata trajetória da corrida às ultradistâncias Da Redação

Hoje morando em Rio Brilhante, José Borges Costa Silva, conhecido como Borges, nasceu em 26 de março de 2000, em Escada, Pernambuco, e foi criado em Ribeirão, também no estado pernambucano. A relação com a corrida começou em um período difícil de sua vida, inicialmente como uma maneira de aliviar a mente. Com o passar do tempo, a atividade física ganhou espaço na rotina e se transformou em uma prática marcada pela disciplina e pelo interesse crescente pelas longas distâncias.

 

“Meu começo na corrida foi simplesmente por causa de uma fase ruim que passei na vida, em que eu queria desistir de tudo. Comecei a correr como uma forma de aliviar a cabeça e percebi que isso começou a melhorar meu humor”, conta Borges.

 

Segundo ele, os efeitos dos primeiros treinos foram além da questão física. A corrida passou a contribuir para a criação de uma rotina e para o desenvolvimento da disciplina. Aos poucos, o que havia começado como uma forma de enfrentar um momento difícil se tornou parte importante de sua vida.

 

“Também comecei a desenvolver disciplina e, com o tempo, fui me apegando cada vez mais ao esporte. A corrida acabou se tornando muito mais do que uma atividade física para mim; ela se tornou uma parte importante da minha vida”, afirma.

 

A experiência com diferentes distâncias fez Borges perceber que seu perfil estava mais relacionado à resistência do que à velocidade. Ele começou pelas provas tradicionais e, conforme aumentava os quilômetros, passou a se interessar pelos desafios de longa duração.

 

“Comecei pelas distâncias tradicionais e, conforme fui aumentando os quilômetros, percebi que quanto mais longa era a distância, mais eu gostava do desafio. Aí comecei a pensar: ‘Até onde será que eu consigo chegar?’”, relata.

 

Foi a partir dessa pergunta que surgiram os desafios pessoais de 50 e 60 quilômetros. Borges faz questão de diferenciar essas experiências das provas oficiais: os percursos não fizeram parte de competições, mas foram metas estabelecidas por ele mesmo para testar seus limites.

 

“Não eram provas oficiais, eram desafios que eu mesmo me propus, e foi aí que comecei a enxergar a corrida de uma forma diferente, pensando cada vez mais nas ultradistâncias”, explica.

 

Borges já participou de provas oficiais de 5 km, 10 km e 21 km. Os 50 km e 60 km foram realizados como desafios pessoais. Entre todas essas experiências, os 60 quilômetros ocupam um lugar especial em sua trajetória, justamente por terem ampliado sua percepção sobre a própria capacidade de enfrentar longas distâncias.

 

“E acho que justamente os 60 km foram os que mais marcaram minha trajetória, porque foi quando percebi que eu realmente tinha uma identificação muito grande com as longas distâncias”, diz.

 

A experiência também teve uma característica diferente das provas tradicionais. Sem uma competição oficial, medalha ou linha de chegada organizada, o objetivo estava diretamente relacionado ao desafio pessoal.

 

“Não tinha uma medalha ou uma linha de chegada de uma prova oficial me esperando; era simplesmente eu, o percurso e o desafio de descobrir até onde conseguiria chegar. Foi ali que comecei a olhar para a ultramaratona de uma maneira diferente”, conta.

 

A preparação para uma longa distância também exige mudanças na forma de encarar a corrida. Na avaliação de Borges, uma meia maratona concentra maior atenção em ritmo, velocidade e desempenho. Já nas ultradistâncias, resistência, controle do ritmo, alimentação, hidratação e preparo mental ganham importância.

 

“Em uma meia maratona, você acaba focando mais em ritmo, velocidade e desempenho. Quando você passa para uma ultradistância, precisa pensar muito mais na resistência física e mental”, explica.

 

Para ele, a paciência também passa a ser necessária durante o percurso. Em distâncias maiores, o corredor precisa administrar o esforço para conseguir completar o desafio.

 

“Você precisa aprender a controlar o ritmo, saber se alimentar e se hidratar durante o percurso e, principalmente, ter paciência”, afirma.

 

O desafio de 60 km foi, até agora, a experiência mais difícil enfrentada por Borges. O desgaste aumentou conforme os quilômetros avançaram, exigindo atenção não apenas ao corpo, mas também à mente.

 

“O principal desafio foi lidar com o desgaste físico e mental que vai aumentando conforme os quilômetros passam. Teve momentos de muito cansaço, em que a vontade de parar apareceu, mas eu precisei controlar a cabeça e continuar”, relata.

 

A experiência também serviu como aprendizado sobre ritmo, alimentação e hidratação. Para Borges, os erros cometidos durante uma longa distância podem ter consequências maiores nos quilômetros finais.

 

“Os 60 km me ensinaram que, nas longas distâncias, não basta ter preparo físico; você precisa estar preparado mentalmente para enfrentar os momentos difíceis”, destaca.

 

Durante os percursos mais longos, uma das estratégias utilizadas por Borges é evitar pensar constantemente na distância total que ainda precisa ser percorrida. Em vez disso, ele divide mentalmente o trajeto em partes menores.

 

“Eu tento não pensar na distância que ainda falta, porque quando você olha e vê que ainda tem muitos quilômetros pela frente, a cabeça pode pesar mais que o próprio corpo”, explica.

 

A estratégia é se concentrar no próximo quilômetro ou no próximo ponto do percurso. Dessa maneira, o desafio é dividido em etapas menores.

 

“Eu procuro dividir o percurso em partes menores e me concentrar no próximo quilômetro, no próximo ponto ou simplesmente em continuar”, afirma.

 

Borges também ressalta que é necessário saber diferenciar o desconforto provocado pelo esforço de uma situação que possa representar uma lesão. Para ele, resistência mental não significa simplesmente ignorar os sinais do corpo.

 

“Para mim, a resistência mental não é ignorar a dor, mas saber lidar com ela e tomar a decisão certa para continuar com segurança”, diz.

 

Apesar da experiência acumulada nas longas distâncias, Borges reconhece que ainda tem pontos a melhorar, especialmente em relação à alimentação. Ele afirma que não possui uma fórmula pronta e que continua observando como o próprio corpo reage aos treinos e desafios.

 

“Eu ainda não tenho uma rotina perfeita de alimentação, inclusive às vezes me alimento até mal, então essa é uma parte que ainda estou aprendendo e preciso melhorar”, conta.

 

No treinamento, ele considera a constância um dos principais fatores. A preparação para distâncias maiores ocorre de forma gradual, enquanto os próprios desafios também servem como aprendizado.

 

“No treinamento, o principal para mim é a constância e ir preparando o corpo para distâncias maiores”, explica.

 

Conciliar a corrida com trabalho, família e outras responsabilidades também exige organização. Borges conta que tem uma rotina de trabalho puxada e precisa adaptar os treinos aos horários disponíveis.

 

“Nem sempre consigo fazer exatamente o treino que estava planejado, mas procuro manter a constância”, afirma.

 

Para ele, o descanso e o tempo com a família também precisam ser considerados. A corrida ocupa um espaço importante em sua rotina, mas não deve substituir as outras áreas da vida.

 

“A corrida é muito importante para mim, mas ela faz parte da minha vida, não pode tomar conta dela inteira. Então aprendi a me organizar e aproveitar os momentos que tenho para treinar”, diz.

 

Além dos resultados físicos, Borges identifica mudanças emocionais desde que começou a correr. Ele afirma que passou a ter mais resistência, disposição e disciplina, mas considera que a principal transformação ocorreu na maneira como passou a lidar consigo mesmo.

 

“Aos poucos, a corrida foi me ajudando a criar uma rotina, ter mais disciplina e acreditar mais em mim”, relata.

 

Os desafios de 50 e 60 quilômetros também contribuíram para essa percepção. Segundo Borges, completar essas distâncias fez com que ele revisse aquilo que considerava possível para si.

 

“Também me ensinou que eu consigo suportar coisas que antes achava que não conseguiria”, afirma.

 

A experiência acumulada ainda influencia a maneira como Borges enxerga quem está começando. Para ele, não é necessário ter como primeira meta completar 5 quilômetros correndo. O processo pode começar com caminhada e corrida alternadas, respeitando o ritmo de cada pessoa.

 

“Eu diria para a pessoa não se preocupar com os 5 km de imediato. Comece de onde você está e vá evoluindo aos poucos. Se precisar alternar corrida e caminhada, não tem problema nenhum”, aconselha.

 

Borges também destaca a importância de não comparar o próprio desempenho com o de outros corredores.

 

“O mais importante é ter constância e não se comparar com outras pessoas. Cada quilômetro que você conseguir correr já é uma conquista”, afirma.

 

A trajetória que começou como uma tentativa de aliviar a mente acabou levando Borges a percorrer distâncias que, no início, estavam longe de seus planos. Hoje, os desafios de longa distância fazem parte de sua relação com o esporte, mas a evolução continua sendo construída de forma gradual.

 

“Eu comecei sem imaginar que um dia conseguiria fazer 50 ou 60 km, então aprendi que a evolução acontece um passo de cada vez”, resume.

 

Para quem está começando, a recomendação permanece a mesma: paciência, constância e respeito aos próprios limites.

 

“Tenha paciência com seu corpo, respeite seus limites e, principalmente, não desista porque hoje você ainda não consegue correr 5 km”, conclui Borges.

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