Da Redação
Fabrício Paiva Fernandes de Souza nasceu em 9 de maio de 2007, em Dourados, e começou a se aproximar do vôlei de forma espontânea, fora de qualquer estrutura formal de treinamento. O primeiro contato mais sério com a modalidade aconteceu em 2022, em um parque da cidade, onde pessoas mais experientes se reuniam para jogar. Foi ali que ele passou a observar, aprender e testar seus próprios limites.
“Quando percebi que tinha potencial foi em 2022, no parque onde outras pessoas jogavam. Eu não tinha nem noção de como armar uma manchete, e uns amigos meus me ensinaram. Aí eu fui me virando”, relembra.
Sem passagem por escolinhas ou projetos de base, Fabrício construiu seu aprendizado na prática, enfrentando um desafio que considera determinante em sua formação: o pouco tempo para aprender e competir em igualdade com atletas da mesma geração. “Comecei muito novo e, por ser 07, com certeza ia ter melhores que eu. Então não tive muitas oportunidades. O maior desafio foi o tempo curto que eu tive para aprender.”
A ausência de um caminho tradicional no esporte fez com que o incentivo viesse de fora da quadra. Um amigo teve papel central nesse processo. “Uma pessoa que sempre me apoiou foi um amigo que faz faculdade, o Moisés. Ele sempre me incentivou a nunca desistir de chegar a ser um bom atleta, mas não de treino. Nunca treinei, mas sim de incentivo e de corrigir meus erros.”
Essa construção informal moldou a forma como Fabrício enxerga o esporte e o próprio desempenho. Para ele, o vôlei rapidamente deixou de ser apenas um jogo e passou a ser um espaço de aprendizado pessoal. “O vôlei me ensinou que nada é perfeito e que você pode dar o seu máximo e ainda vai ser pouco. E também a não se apegar aos elogios, porque eles não são incentivo.”
A convivência com atletas mais experientes também influencia sua percepção sobre o futuro. Mesmo sem competir fora do Estado até o momento, ele observa, compara e projeta possibilidades. “Por ser jovem e jogar com pessoas com mais tempo de vôlei do que eu, a expectativa do futuro é tipo: ‘será que eu vou ser igual a ele?’ ou ‘quero ter um ataque muito mais forte’. E eu imagino que eu tenho que ser igual, porque um dia ele foi igual a mim.”
Se dentro da quadra o ambiente serviu como espaço de acolhimento, fora dela nem sempre o cenário foi favorável. Fabrício relata que o apoio familiar nunca esteve presente da forma que ele esperava, especialmente por ter escolhido o vôlei em vez de modalidades mais populares no contexto local. “Um momento marcante foi quando minha família me criticava por ser vôlei e não futsal. Apoio mesmo da família eu nunca tive. Chegava com uma medalha, eles me davam um parabéns bem seco, e isso me deixava sentido.”
A rotina que antes parecia equilibrada mudou com o tempo. Durante o ensino médio, o esporte funcionava como uma válvula de escape. “Minha rotina era perfeita no ensino médio. Agora já não é mais a mesma coisa. Como eu nunca treinei, eu só jogava rachão, e eu ia justamente jogar para esquecer os problemas de casa ou do trabalho.”
Essa vivência reflete diretamente na maneira como Fabrício se comporta dentro de quadra. Ele busca não reproduzir cobranças excessivas que já sentiu na pele. “Eu procuro ser aquele que não cobra muito, aquele que deixa o jogo leve, porque eu sei que quando fizeram isso comigo eu não gostava. Então eu ajo na quadra da maneira mais descontraída possível, mas claro, jogando e buscando não errar.”
Mesmo sem garantias, planos definidos ou promessas de carreira, Fabrício mantém uma expectativa realista sobre o futuro. “Eu acredito que eu cresça. Quero chegar longe, mas sei que não sei o que o futuro me espera.”