Da Redação
O futebol sempre esteve presente na vida de Renato Trajano da Silva. Nascido em Campo Grande no dia 7 de março de 1998, o atleta cresceu cercado pelo esporte dentro da própria família. Segundo ele, o primeiro contato começou ainda na infância, influenciado pelo pai e pelos momentos em família.
“Minha relação começou desde bebê. Meu pai, sendo um grande fã do Flamengo, sempre me deu coisas relacionadas ao time e ao esporte, além de eu ter sido um dos mais novos entre os primos e ter crescido jogando com eles na calçada da minha avó”, contou.
A identificação com o futebol rapidamente passou das brincadeiras para os treinamentos. Renato lembra que entre os 11 e 12 anos teve a primeira oportunidade de disputar uma competição fora de Mato Grosso do Sul. O campeonato aconteceu no CT do Paraná Clube e marcou um momento importante no início da trajetória.
“Foi mais ou menos aos 11 para 12 anos. Após um mês de treino de futebol, já estava indo disputar meu primeiro campeonato lá no CT do Paraná Clube. Nesse campeonato tive a oportunidade de ficar e jogar pelo clube, mas infelizmente sofri uma pequena lesão no joelho direito e acabei voltando. Desde então percebi que tinha potencial para seguir no futebol”, afirmou.
Durante a formação nas categorias de base, Renato passou por avaliações e períodos em diferentes clubes do país, entre eles São Paulo, Santos, Ponte Preta e Fluminense. Ao lembrar daquele período, ele destaca principalmente as diferenças estruturais e de preparação entre os grandes centros e a realidade encontrada em Mato Grosso do Sul.
“Os maiores desafios sempre foram as diferenças gritantes da preparação das bases aqui do estado em comparação aos outros times citados”, disse.
Um dos períodos que mais marcaram sua formação foi a passagem por Cascavel, no Paraná, onde ficou seis meses em um centro de formação de atletas.
Segundo ele, a experiência elevou seu nível de preparação física e técnica.
“Lá obtive uma crescente de preparação muito elevada, onde batíamos de frente com bases de times da Série A e Série B do Campeonato Brasileiro”, relatou.
Após retornar de Cascavel, Renato tinha uma avaliação encaminhada no Ituano, mas uma nova lesão interrompeu os planos. Dessa vez, o problema foi mais grave e mudou completamente sua trajetória dentro do futebol.
“Estava tudo encaminhado para eu ir ao Ituano fazer uma avaliação. No entanto, tive uma lesão muito grave três dias antes da viagem. No joelho esquerdo, sofri uma lesão por estresse na região do platô tibial”, explicou.
A recuperação exigiu um longo período longe dos gramados. Renato ficou seis meses parado e, quando voltou, passou a enfrentar dificuldades físicas e também emocionais.
“Além de não ter mais o mesmo condicionamento, o medo de uma nova lesão era recorrente, o que me fez ficar afastado dos gramados por oito anos”, contou.
O retorno ao futebol aconteceu apenas em 2024, já aos 25 anos, quando recebeu a oportunidade de disputar a Série A do Campeonato Sul-Mato-Grossense pelo Náutico FC. Segundo Renato, o processo de retomada foi desgastante, mas a motivação para realizar um objetivo antigo fez diferença.
“Em 2024 tive a oportunidade de voltar a jogar a Série A do Campeonato Sul-Mato-Grossense pelo Náutico FC. O retorno foi bem desgastante para chegar em forma, mas a vontade de realizar um sonho foi o que motivou cada dia mais”, afirmou.
Entre os momentos mais marcantes da carreira, Renato destaca justamente a estreia no futebol profissional. O jogo aconteceu contra o Operário em 2024.
“O jogo mais marcante, sem dúvidas, foi minha estreia no profissional em 2024 contra o Operário. Mesmo que por poucos minutos, foi algo marcante na minha vida”, disse.
Outro momento lembrado pelo atleta foi a partida diante do Futebol Clube Pantanal, quando permaneceu em campo durante os 90 minutos e reencontrou um amigo dos tempos de base.
Ao falar sobre as pessoas importantes em sua trajetória, Renato cita familiares, treinadores, profissionais da saúde e integrantes do Náutico FC. O primeiro nome lembrado por ele foi o do pai, Zito Manoel.
“Acredito que, em primeiro lugar, meu pai, Zito Manoel, influenciou muito nessa minha base para o esporte e hoje em dia é um dos dirigentes do Náutico FC, fazendo de tudo pelo futebol de base do estado”, afirmou.
Ele também mencionou o árbitro Paulo Henrique, seu primeiro treinador no futsal, o treinador Altair Silva, conhecido como Pororoca, e o médico Roberto Cisneiros, responsável pelo tratamento das lesões nos joelhos.
“Doutor Roberto Cisneiros tratou minhas duas lesões de joelho e possibilitou minha volta aos gramados”, destacou.
Atualmente, além do futebol, Renato cursa Educação Física na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo ele, a escolha pela área está diretamente ligada às experiências vividas dentro do esporte.
“Acredito que o futebol representa toda minha formação como pessoa. Me trouxe vivências nunca antes imaginadas, como também momentos de superação que me ajudaram a criar meu jeito e minha personalidade”, afirmou.
Sobre o cenário do futebol sul-mato-grossense, Renato avalia que houve crescimento nas categorias de base, mas considera que ainda existe diferença em relação a outros estados.
“Atualmente as bases vêm ganhando destaque em alguns clubes do estado, mas ainda estão bem atrás dos outros”, analisou.
Para ele, o fortalecimento do futebol local passa pela valorização dos jovens atletas e pela melhoria da preparação para competições nacionais.
“Dar maior oportunidade aos jovens para que eles se desenvolvam aumenta a qualidade do futebol sul-mato-grossense”, disse.
Ao final, Renato deixou uma mensagem para crianças e adolescentes que sonham em seguir carreira no futebol.
“Corram atrás e coloquem como objetivo o seu sonho. Procurem locais certos para o desenvolvimento e entendam que é um caminho difícil, com vários desafios e, às vezes, até injusto. Mas é necessário se sacrificar. Quando a dedicação é alta, ela sempre é vista por alguém que vai te ajudar a alcançar seus objetivos”, concluiu.