Da Redação
Natural da capital paulista, Caique H. Franco da Silva construiu sua história esportiva em Mato Grosso do Sul. Ex-atleta profissional de futebol, ele chegou ao Estado em 2019 para disputar o Campeonato Sul-Mato-Grossense pelo Sete de Setembro, de Dourados. Na sequência, transferiu-se para o Corumbaense para disputar a Série D do Campeonato Brasileiro.
Foi durante esse período em Corumbá que sua vida mudou também fora dos gramados. Caique conheceu a esposa, constituiu família e decidiu permanecer no Estado. Hoje, o casal tem dois filhos, de seis e três anos, e vive na região do Pantanal.
Após encerrar a carreira no futebol profissional, ele precisou redefinir os rumos da vida. Segundo o atleta, as dificuldades financeiras enfrentadas após a pandemia influenciaram diretamente essa decisão.
"Hoje já não atuo mais no futebol profissional devido às dificuldades financeiras do período pós-pandemia. Tive que optar por algo mais estável para minha família e me tornei militar temporário da Marinha do Brasil."
Mesmo longe dos campos, o esporte continuou fazendo parte da rotina. Atualmente, Caique divide o tempo entre a carreira militar, a família, a corrida de rua e o jiu-jítsu. Ele já participou de duas edições consecutivas da Meia Maratona de Campo Grande, na distância de 21 quilômetros, além de praticar jiu-jítsu há alguns anos, modalidade na qual é faixa azul, auxilia nas aulas infantis e participa de competições municipais.
"Sabemos que quem ama esporte nunca fica parado. Hoje sou corredor de rua amador, participando de duas edições consecutivas da Maratona de Campo Grande nos 21 quilômetros. Também pratico jiu-jítsu há alguns anos, sou faixa azul, ajudo meu mestre a ministrar aulas para as crianças e participo de algumas competições municipais. Hoje vivo no coração do Pantanal, conciliando a corrida de rua e o jiu-jítsu."
O interesse pela corrida surgiu justamente após o encerramento da carreira no futebol. Inicialmente, o objetivo era apenas manter o condicionamento físico, mas a prática acabou se transformando em uma nova paixão.
"Sou ex-atleta profissional de futebol e, depois que parei de atuar, comecei a correr nos tempos livres para manter o corpo ativo. Aos poucos fui ganhando ainda mais gosto pelo esporte."
Assim como muitos atletas amadores, o principal desafio é encontrar equilíbrio entre as diferentes responsabilidades do dia a dia.
"Os principais desafios são conciliar a correria do dia a dia, cuidar da família, trabalhar e manter os treinos."
Entre as conquistas que marcaram sua trajetória, a primeira prova de 21 quilômetros ocupa um lugar especial. A preparação para a Meia Maratona de Campo Grande foi interrompida por um motivo inesperado: a internação dos dois filhos exatamente um mês antes da competição.
"Sem dúvidas, minha maior conquista foi completar minha primeira prova de 21 quilômetros na Maratona de Campo Grande. Eu vinha me preparando bem, com a ajuda da profissional Andressa Oliveira, que me orientava nos treinos de corrida e fortalecimento."
Segundo Caique, a situação familiar mudou completamente a rotina de preparação.
"Faltando exatamente um mês para a prova, meus dois filhos ficaram internados. Não consegui manter os treinos e passei praticamente 30 dias no hospital com minha esposa e as crianças."
Mesmo diante das circunstâncias, decidiu participar da competição.
"Consegui superar meu corpo e minha mente, com a ajuda da minha família e da minha esposa. Não foi fácil por ser minha primeira prova de 21 quilômetros, por ter ficado praticamente um mês sem treinar e também pelo percurso, que tinha muitas subidas e descidas e exigia uma boa estratégia. Graças a Deus deu tudo certo e consegui aproveitar cada quilômetro dessa prova."
A rotina de preparação atualmente é dividida entre diferentes modalidades. Para ele, controlar a carga de treinamentos é importante para evitar lesões.
"Procuro manter uma rotina equilibrada entre corrida de rua, fortalecimento e jiu-jítsu. Com a correria do dia a dia, às vezes o tempo de descanso não é suficiente, e isso pode me prejudicar a longo prazo."
Embora hoje prepare-se sem acompanhamento constante para as competições, Caique destaca a importância da família na manutenção desse estilo de vida.
"Hoje tenho me preparado sozinho, com foco em cada prova que estabeleço como objetivo. Quando não tenho competições próximas, treino para manter o ritmo."
Mais do que incentivo, ele afirma que o esporte aproximou toda a família.
"Tenho orgulho de ver as mudanças que a corrida de rua trouxe para minha família. Nem sempre foi assim, mas hoje não sou apenas eu. Minha esposa e meus filhos também praticam atividades físicas. Isso nos mantém ainda mais conectados e unidos. Temos nossos momentos juntos, seja na corrida ou no jiu-jítsu. Estamos sempre compartilhando esse tempo longe das telas, que hoje têm sido um grande problema na vida das crianças."
Ao analisar o crescimento da corrida de rua em Mato Grosso do Sul, Caique acredita que a modalidade evoluiu, mas aponta demandas apresentadas pelos próprios praticantes.
"Com a dimensão que a corrida de rua alcançou hoje, ainda temos muito a evoluir. Estou sempre acompanhando outros corredores do Estado e uma das principais reclamações é a falta de locais seguros e iluminados para que possam treinar com tranquilidade."
Na avaliação do atleta, a segurança durante provas e treinamentos também precisa avançar.
"A corrida de rua, não apenas em Mato Grosso do Sul, mas em todo o Brasil, ainda precisa melhorar na segurança viária, com mais bloqueios de trânsito e sinalização para garantir a segurança dos atletas."
A experiência no esporte de alto rendimento também influencia a forma como encara os desafios físicos.
"Acredito que, pelo fato de ter sido atleta profissional, respeito muito meu corpo e os meus limites. Não me deixo abalar por resultados abaixo do esperado, porque sei que, se exigir mais do que meu corpo suporta naquele momento, posso sofrer uma lesão grave."
Para os próximos anos, Caique já definiu uma nova meta.
"Meu próximo objetivo é completar minha primeira maratona no ano que vem e continuar fazendo da corrida não apenas um esporte, mas um estilo de vida."
A quem está iniciando na modalidade, ele orienta que o processo aconteça de forma gradual.
"Meu conselho para quem está começando é iniciar aos poucos, sem se preocupar com pace ou performance. Procure um profissional para que a corrida não se torne uma experiência ruim. Aproveite o processo, os pequenos desafios e curta cada quilômetro."