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Amizade, leveza e quadra: o jeito de jogar de Eduardo Steglich em MS

da redação - 23 de abr de 2026 às 16:08 47 Views 0 Comentários
Amizade, leveza e quadra: o jeito de jogar de Eduardo Steglich em MS Da Redação

“Nunca tive uma ‘rotina de treino’, sempre joguei por jogar, por diversão, considero uma terapia.” É dessa forma que Eduardo Herbert Steglich, nascido em 19 de dezembro de 2003, resume a relação que construiu com o voleibol ao longo dos anos. Longe de um planejamento tradicional ou de metas estabelecidas desde cedo, o jovem atleta trilhou um caminho marcado pela espontaneidade, pela convivência e pelo acúmulo de experiências dentro de quadra.

 

O contato com o esporte começou ainda na infância, influenciado diretamente pelo ambiente familiar. “O vôlei sempre se fez presente em minha vida, minha mãe, Luciana, sempre jogou, então sempre estive em contato com o esporte”, relata. A prática, no entanto, não surgiu com a intenção de competir em alto nível. Segundo ele, o processo aconteceu de forma gradual. “Comecei no vôlei cedo, brincando, e nunca parei. Nunca pensei em jogar em outro nível, nunca foi um objetivo a ser alcançado. Aconteceu ‘normalmente’.”

 

Essa naturalidade também marcou a transição para competições. Convites de amigos e conhecidos foram abrindo espaço para partidas amistosas, que posteriormente evoluíram para torneios e campeonatos. Sem uma estrutura formal de treinamento, Eduardo encontrou na diversidade de experiências uma forma de desenvolvimento técnico e tático. “Jogo praticamente em todos os rachões que me chamam. Acredito que consegui evoluir dessa maneira, sempre em contato com o esporte, jogando com diversas pessoas, cada uma com um estilo, modo e visão de jogo. Isso te molda, te dá experiência e agrega.”

 

A influência da mãe aparece como elemento central em sua formação. “Acredito que tenha sido minha mãe, sempre jogou competindo, participava de torneios e amistosos em várias cidades do Mato Grosso.” O exemplo dentro de casa contribuiu para a permanência no esporte, ainda que sem a pressão por resultados ou profissionalização.

 

Atualmente vivendo em Dourados desde 2022, para cursar faculdade, Eduardo passou a observar de perto a dinâmica do voleibol em Mato Grosso do Sul. Para ele, o estado apresenta uma forte cultura esportiva na modalidade. “Percebi uma coisa: o vôlei é um esporte muito presente na cultura de campeonatos. Praticamente toda semana tem algo no estado, cada semana um campeonato em uma cidade diferente.” Ele também destaca a presença de projetos de base. “Há também escolinhas, então o contato com o esporte é bem forte.”

 

Mesmo inserido nesse ambiente competitivo, ele não enxerga grandes obstáculos. “Não considero ter desafios”, afirma, ao avaliar a realidade de jovens atletas na região. A visão contrasta com discursos mais comuns sobre dificuldades estruturais, e reforça o caráter mais leve com que encara sua participação no esporte.

 

Entre os momentos marcantes, Eduardo cita o reconhecimento individual em uma competição local. “Acredito que foi ter sido escolhido o melhor líbero da Liga Tomodachi, em Dourados. São 10 times, e a liga dura em torno de dois a três meses.” O destaque, segundo ele, vai além do desempenho em quadra. “Todos os meus amigos estavam presentes no campeonato, cada um jogando por times diferentes, foi algo legal.”

 

Dentro das quadras, ele alterna funções entre líbero e levantador, posições que exigem leitura de jogo e consistência nos fundamentos. Ainda assim, ao falar sobre evolução, amplia o foco para além da parte técnica. “Busco melhorar passe, defesa, levantamento e visão de jogo. Mas algo que tento aprimorar é a mentalidade, ser tranquilo, aliviar a ansiedade antes de entrar em quadra.”

 

Essa abordagem também se reflete na forma como lida com a pressão. Para Eduardo, o caráter coletivo do esporte é determinante. “Penso primeiro em fazer o meu bem. Em um esporte coletivo, a derrota ou a vitória não depende somente de você, depende de um time.” Ele acrescenta que o ambiente influencia diretamente nesse processo. “Estar rodeado de amigos ajuda a aliviar a pressão.”

 

Sem estabelecer metas específicas ou objetivos de longo prazo dentro do voleibol, ele mantém a prática ligada ao convívio social. “Não almejo nenhum campeonato específico. Acredito que jogar com meus amigos, seja em Dourados ou em cidades próximas, em torneios ou campeonatos.”

 

Ao falar com jovens que desejam seguir no esporte, a orientação passa pela construção de relações e pela abertura ao aprendizado. “Façam amigos, se juntem a pessoas com quem se sentem confortáveis e que acreditam no seu potencial. Aceitem críticas construtivas, com a mentalidade de evoluir. Comunicação é a base de qualquer esporte coletivo.”

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