Da Redação
“Ali era o lugar onde eu queria estar.” Foi assim que a piloto Maria Vitória Alves da Silva definiu o momento em que subiu pela primeira vez em sua motocicleta. Natural de Nova Andradina, nascida em 27 de outubro de 2006, ela encontrou no velocross não apenas um esporte, mas um caminho que passou a conduzir sua rotina, seus planos e seus objetivos.
A ligação com as motos começou ainda na infância. “A moto sempre foi minha paixão. Cresci vendo meu tio, Diego, praticar o esporte e ia às corridas assistir”, conta. O ambiente das competições, o convívio com os pilotos e o contato frequente com as pistas fizeram com que o interesse se transformasse em vontade de participar ativamente.
A mudança de papel, de espectadora para competidora, aconteceu no aniversário de 16 anos. “A grande virada foi no meu aniversário de 16 anos, quando meu pai me presenteou com uma CRF 230. A sensação de subir nela pela primeira vez foi uma mistura de emoção e adrenalina que eu nunca tinha sentido. Naquele momento, eu soube: ali era o lugar onde eu queria estar”, relembra.
O início não foi livre de receios. “No começo, confesso que tive medo dos desafios, tanto dentro quanto fora da pista.” A preocupação, segundo ela, envolvia desde o desempenho até a adaptação ao ambiente das corridas. Com o tempo, a experiência foi diferente do que imaginava. “Mas foi o contrário. Todos foram muito acolhedores, sempre um ajudando o outro com dicas e conselhos para evoluirmos juntos.”
A rotina passou a ser organizada em função das competições. Maria Vitória treina na pista de Nova Andradina pelo menos duas vezes por semana e complementa a preparação com academia, caminhada e ciclismo. “Minha preparação é intensa. Para mim, o que não pode faltar é foco e força.” O trabalho físico é aliado à necessidade de concentração, especialmente em um esporte que exige controle em situações de risco.
Os desafios também fizeram parte da trajetória. A piloto relata que uma das experiências mais difíceis aconteceu logo no começo. “Minha pior queda foi logo na segunda corrida; bati em outra competidora e fiquei com o olho roxo por um mês.” Além das quedas, houve momentos de tensão antes das largadas. “Também já enfrentei crises de ansiedade antes de entrar na pista.” Para ela, essas situações serviram de aprendizado. “Essas experiências me ensinaram a ter calma, garra e, acima de tudo, a me divertir.”
O esforço resultou em conquistas. Entre os principais títulos está o de campeã da Copa Sul-Mato-Grossense de Velocross, na etapa realizada em Nioaque. “O momento mais marcante, sem dúvida, foi conquistar o título de campeã da Copa Sul-Mato-Grossense em Nioaque. Ali, todo o esforço valeu a pena.” A vitória consolidou o nome da jovem piloto no cenário estadual e ampliou as perspectivas para novos campeonatos.
O apoio familiar é parte central dessa trajetória. “Minha família me apoia sempre, mesmo com o coração apertado”, afirma. O pai tem papel direto na preparação. “Meu pai é a peça principal: ele me treina, me ensina, me encoraja e divide cada aventura comigo. Sou eternamente grata por ele nunca soltar a minha mão.” A presença dele nos treinos e nas competições integra a rotina construída em torno do esporte.
Entre as referências no velocross, Maria Vitória destaca o piloto Carlos Eduardo, com quem teve contato direto. “No esporte, meu grande ídolo é o piloto Carlos Eduardo. Tive a oportunidade de fazer um curso com ele e acompanhá-lo nas corridas, o que foi um aprendizado incrível.” A convivência com atletas mais experientes contribuiu para o aprimoramento técnico e para a compreensão do ambiente competitivo.
Ao falar sobre o que sente na pista, ela resume: “É impossível explicar. É uma sensação única de adrenalina, em que você só quer acelerar.” A definição revela a motivação que sustenta a permanência no esporte, mesmo diante das dificuldades.
Com 19 anos, a piloto projeta novos passos. “Meus objetivos agora são continuar melhorando, conquistar novos títulos e levar meu nome para os campeonatos estaduais e nacionais.” A meta envolve ampliar a participação em competições e buscar espaço além do circuito regional.
A presença feminina no motociclismo também faz parte do discurso da atleta. Para ela, o cenário tem se ampliado e precisa continuar avançando. “É inspirador ver meninas do nosso Mato Grosso do Sul e de todo o país prontas para encarar a poeira. Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no topo do pódio do Velocross.” A frase sintetiza a posição que defende dentro e fora das pistas.