Da Redação
A frase “a corrida é o esporte individual mais coletivo que existe” resume a forma como Alexandre Betoni enxerga a modalidade que passou a fazer parte da sua rotina de maneira definitiva. O atleta sul-mato-grossense iniciou na corrida de rua como uma forma complementar de preparação física para o futebol e o futsal, mas encontrou nas provas de longa distância um novo propósito ligado à saúde, à performance e à disciplina.
Antes de focar totalmente na corrida, Alexandre mantinha uma rotina voltada aos esportes coletivos. Segundo ele, os treinos de corrida eram utilizados apenas para melhorar o condicionamento físico dentro das quadras e campos.
“Eu sempre joguei futsal e futebol e praticava corridas de 5 até 7 quilômetros para resistência”, contou.
A mudança aconteceu em 2024, quando participou da Corrida do Pantanal, em uma prova de 15 quilômetros. A experiência marcou o início de uma nova fase no esporte.
“Em 2024, iniciei minha primeira Corrida do Pantanal, de 15 quilômetros, e dali para frente larguei o futebol e foquei 100% na corrida de rua”, afirmou.
O que começou como hobby passou a ocupar espaço central na rotina do atleta. Hoje, Alexandre define a corrida como uma prática voltada tanto para saúde quanto para desempenho esportivo.
“Começou como um hobby e hoje levo como saúde e performance”, disse.
A adaptação para uma rotina de treinos mais intensa exigiu mudanças na organização do dia a dia. Além das corridas, Alexandre precisou incluir trabalhos de fortalecimento muscular e acompanhamento profissional para prevenir lesões e melhorar o rendimento.
“No início era difícil conciliar fortalecimento, trabalho e corrida com foco em performance. Mas, com organização e alguns ajustes na rotina, deu tudo certo”, explicou.
Atualmente, o atleta mantém uma rotina com seis treinos de corrida por semana e quatro sessões de fortalecimento na academia. Ele também conta com acompanhamento multidisciplinar para alinhar alimentação, recuperação física e prevenção de lesões.
“Tenho apoio da nutricionista Leticia Neri, que vem me acompanhando na alimentação da minha rotina alinhada com meus objetivos. Também faço massoterapia com Sheila Neves e fisioterapia com Liniker para prevenção de lesões”, relatou.
Apesar da evolução dentro do esporte, Alexandre avalia que ainda existem dificuldades estruturais para atletas de alto rendimento em Mato Grosso do Sul. Para ele, a falta de incentivo financeiro e de patrocinadores é um dos principais obstáculos enfrentados pelos corredores do Estado.
“O principal desafio dos corredores em Mato Grosso do Sul para atletas de alta performance é a falta de incentivo aos atletas, tanto pelo lado financeiro quanto pelo lado de patrocinadores. Ainda é muito carente no esporte sul-mato-grossense”, afirmou.
Ao longo da trajetória na corrida, Alexandre destaca também a importância da rede de apoio construída fora das competições e treinamentos. Segundo ele, o incentivo da família e dos amigos faz diferença na manutenção da rotina esportiva.
“Sempre tive apoio da minha esposa, amigos e familiares, que fazem muita diferença no dia a dia”, comentou.
Além da preparação física, o atleta considera que o aspecto mental é determinante para quem deseja evoluir na corrida de rua. Para Alexandre, acreditar na própria capacidade é parte essencial do processo de desenvolvimento dentro da modalidade.
“O maior desafio na corrida é o trabalho mental e acreditar que podemos evoluir e ser melhores a cada dia”, declarou.
A experiência adquirida desde o início na corrida também fez com que Alexandre passasse a incentivar outras pessoas a começarem na modalidade sem depender de grandes investimentos ou equipamentos específicos.
“O conselho que eu dou para quem quer iniciar a corrida de rua é: apenas comece. Você não precisa de tênis de placa, roupa nova e dependência de ninguém. Vá por você, pela saúde e seus objetivos”, afirmou.
Mesmo sendo uma modalidade individual, Alexandre acredita que a corrida cria conexões entre as pessoas e fortalece o sentimento de coletividade entre os praticantes.
“A corrida é o esporte individual mais coletivo que existe”, finalizou.