Da Redação
Aos 15 anos, Isabelly Vitória Benites Cardozo mantém uma rotina dividida entre treinos em Aquidauana e Campo Grande com um objetivo definido para os próximos anos: conquistar uma vaga na Seleção Brasileira de Karatê e disputar competições mundiais. Natural de Anastácio, a atleta começou na modalidade aos cinco anos e, desde então, passou a participar de competições nacionais.
Nascida em 22 de agosto de 2011, Isabelly teve o primeiro contato com o esporte depois de uma tentativa em outra atividade. A mãe inicialmente a levou para uma aula experimental de balé, mas a adaptação não aconteceu. Foi então que surgiu a oportunidade de conhecer o karatê.
“Aos cinco anos, minha mãe me levou para uma aula experimental de balé, mas não me adaptei. Então, ela me levou para fazer uma aula experimental de karatê, e eu amei desde o primeiro dia”, relembra.
O que inicialmente era uma atividade passou a ocupar um espaço maior na rotina da jovem. Segundo Isabelly, um dos momentos que marcaram essa mudança ocorreu durante sua evolução nas graduações da modalidade. A troca da faixa laranja pela verde coincidiu com o início da participação em competições de âmbito nacional.
“Quando troquei da faixa laranja para a verde, foi quando compreendi a seriedade do karatê. Também foi nessa época que comecei a participar de campeonatos nacionais”, conta.
Atualmente, a preparação envolve deslocamentos entre cidades de Mato Grosso do Sul. Às terças e quintas-feiras, Isabelly treina karatê em Aquidauana. Aos sábados, participa de treinamentos de alto rendimento em Campo Grande. A rotina ainda inclui exercícios específicos para fortalecimento dos joelhos em dias alternados.
O trabalho de fortalecimento passou a fazer parte da preparação depois que a karateca sofreu lesões durante sua participação em competições nacionais. A questão física é apontada por ela como uma das dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória no esporte.
“Tenho treinos de karatê às terças e quintas-feiras, em Aquidauana, e treinos de alto rendimento aos sábados, em Campo Grande. Também faço fortalecimento dos joelhos em dias alternados, devido às lesões que tive durante campeonatos brasileiros”, explica.
Além das limitações provocadas pelas lesões, Isabelly relata dificuldades para custear os cuidados necessários durante a recuperação. Segundo ela, a falta de patrocínio interfere no acesso a serviços como fisioterapia e outros tratamentos.
“Tive lesões nos joelhos e busco tratá-las no dia a dia com medicamentos e fortalecimento. Também enfrento a falta de patrocínio para fisioterapia e outros tratamentos”, relata.
Entre as competições das quais participou, Isabelly aponta os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) de 2025 como um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Na competição, ela terminou em segundo lugar na Série Bronze. Para a jovem, o resultado ganhou importância por ter representado uma aproximação de um dos principais objetivos que mantém no esporte: representar o Brasil internacionalmente.
“Os JEBs de 2025 foram a competição que mais me marcou. Mesmo não conseguindo o resultado que eu buscava, fiquei em segundo lugar na Série Bronze. Foi o resultado que me deixou mais próxima de representar o Brasil em um Mundial”, afirma.
A preparação para competir não ocorre apenas durante os treinamentos. Antes de entrar no tatame, Isabelly conta que procura controlar a pressão, recordar o trabalho realizado durante a preparação e observar as características das adversárias. As orientações dos professores também fazem parte desse processo.
“Primeiramente, busco a Deus. Depois, me concentro em tudo o que treinei, estudo as adversárias e sigo as orientações dos meus senseis”, diz.
A família ocupa espaço na trajetória da atleta desde o primeiro contato com o karatê. Isabelly cita a mãe como uma das principais responsáveis pelo apoio que recebe. Ela também destaca a participação dos senseis e dos amigos, principalmente nos períodos em que enfrenta dificuldades ou quando os resultados das competições ficam abaixo do que esperava.
“Primeiramente, minha mãe, que sempre está ao meu lado. Também meus senseis, que estão sempre me orientando e treinando, além do apoio dos meus amigos. Esses apoios fazem muita diferença, principalmente nos momentos difíceis, quando penso em desistir ou quando os resultados não são os esperados”, afirma.
Depois de cerca de dez anos de contato com a modalidade, Isabelly avalia que os aprendizados adquiridos não estão restritos ao desempenho dentro do tatame. Disciplina, respeito, foco e a necessidade de lidar com derrotas são alguns dos pontos citados pela karateca.
“O karatê me ensinou disciplina, foco e determinação para buscar sempre o melhor resultado, além de respeito. Também me ensinou que nem sempre vamos conseguir vencer, mas devemos continuar tentando e não desistir dos nossos sonhos”, conta.
É justamente a continuidade no esporte que está entre os planos da jovem para os próximos anos. Isabelly pretende ampliar a preparação e desenvolver novas técnicas para tentar alcançar uma vaga na equipe nacional.
“Quero treinar mais forte e buscar novas técnicas, porque meu objetivo é conquistar uma vaga na Seleção Brasileira de Karatê para participar dos Mundiais”, afirma.
Enquanto busca avançar nas competições e concilia os treinamentos com o fortalecimento físico, Isabelly também usa a própria experiência para incentivar outras crianças e adolescentes interessados em conhecer a modalidade. Para ela, as dificuldades encontradas durante a preparação e nas competições fazem parte do processo de formação de um atleta.
“Eu diria para não terem medo de começar e, principalmente, de enfrentar os desafios. O karatê exige dedicação e paciência, mas também proporciona muitas experiências e aprendizados. Acreditem nos seus sonhos, tenham disciplina e nunca desistam, mesmo quando as coisas não saírem como planejamos”, finaliza.