Da Redação
“Eu estudo de manhã, trabalho à tarde e treino à noite.” A frase resume a rotina de Fernando Silva Martinez, jovem atleta de vôlei nascido em 27 de fevereiro de 2009, em Naviraí, no interior de Mato Grosso do Sul. Entre escola, trabalho e quadra, ele constrói uma trajetória marcada pela adaptação às condições locais e pela busca constante por evolução dentro do esporte.
O primeiro contato com o vôlei aconteceu ainda no ambiente escolar. As aulas de educação física e os jogos no recreio foram o ponto de partida, mas a decisão de ir além surgiu de forma espontânea. “Teve um dia que vi duas pessoas do 2º ano do ensino médio falando do treino que haviam feito. Me interessei e fui falar com eles. A partir daí fui treinar, e estou até hoje.” Fernando começou a treinar no 9º ano do ensino fundamental e, atualmente, se prepara para cursar o 3º ano do ensino médio.
A permanência no esporte, no entanto, exige esforço diário. Para ele, os desafios de praticar voleibol em Mato Grosso do Sul vão além da quadra. “Os principais desafios nesse esporte, morando no MS, são um pouco a falta de acesso a materiais. Muitos atletas no Mato Grosso do Sul trabalham, e esse também é o meu caso.” A necessidade de conciliar estudo, trabalho e treinos faz parte da realidade de grande parte dos jovens atletas do estado, especialmente fora dos grandes centros.
Fernando trabalha como vendedor em uma loja de ferragens e organiza sua rotina de forma a não se afastar do esporte. “Eu estudo de manhã, trabalho à tarde e treino à noite.” Segundo ele, conciliar essas responsabilidades não é simples. “Conciliar o esporte com o estudo é difícil, mas nada que esforço não resolva.” Atualmente, seus treinos acontecem principalmente na quadra, mas ele planeja retomar os treinos de academia para complementar a preparação física.
Dentro da sua trajetória, alguns momentos marcaram uma mudança significativa no modo de encarar o jogo. Um deles foi a transição para partidas com atletas mais experientes. “Um dos momentos mais decisivos foi quando comecei a jogar com os adultos. É outro ritmo de jogo, na verdade é surreal.” A experiência trouxe novos aprendizados e exigiu uma adaptação rápida ao nível mais intenso das partidas.
Em relação às características técnicas, Fernando busca compensar limitações físicas com fundamento e leitura de jogo. “Por eu ser relativamente baixo para o esporte, tento pular o mais alto possível e focar bastante em passe e defesa.” A escolha não é aleatória. Ele cita como referências dois nomes conhecidos do voleibol brasileiro: “Um dos atletas que eu mais admiro é o Serginho, líbero da seleção brasileira, e também o Giba.”
O processo de formação do atleta também passa pelas pessoas que o acompanham diariamente. Fernando destaca três figuras importantes nessa caminhada. “Tenho três pessoas que contribuíram e contribuem para que isso aconteça: meus dois técnicos, o Sérgio (Serginho) e o Anderson (Andy), e também o meu primo Renan.” Segundo ele, os treinadores foram responsáveis por transmitir os fundamentos do jogo, enquanto o convívio com o primo criou um estímulo constante. “Desde que chamei ele para treinar, virou uma competição. Queremos melhorar sempre.”
Representar Mato Grosso do Sul em competições é outro ponto que aparece com frequência em seu discurso. “É incrível representar o MS. Você sente aquela pressão, mas é uma pressão boa.” Entre os campeonatos que marcaram sua trajetória, ele cita dois de forma especial: “O JOJUMS e a Copa Palotina.”
Sem projeções grandiosas ou planos de longo prazo definidos, Fernando mantém os pés no chão ao falar sobre o futuro. “Meu objetivo é melhorar cada dia mais e continuar jogando sempre que der.” A frase reforça uma relação com o esporte construída no cotidiano, sustentada pela disciplina e pela vontade de permanecer em quadra, mesmo diante das limitações estruturais e da rotina apertada.