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“A piscina se tornou minha casa”: Gabriel Santana conta como a natação passou de tratamento para parte da vida

da Redação - 8 de set de 2026 às 16:26 368 Views 0 Comentários
“A piscina se tornou minha casa”: Gabriel Santana conta como a natação passou de tratamento para parte da vida Da Redação

Aos 31 anos, o atleta sul-mato-grossense Gabriel Santana carrega uma trajetória de 24 anos ligada à natação. O que começou aos sete anos de idade como uma alternativa indicada pelos pais para ajudar no condicionamento respiratório, por causa da bronquite, acabou se transformando em uma atividade presente em praticamente toda a sua vida. Ao longo dos anos, Gabriel passou pela formação esportiva, disputou competições, conquistou medalhas e chegou ao pódio em competições nacionais e internacionais.

 

O primeiro contato com a natação teve uma motivação relacionada à saúde. Segundo Gabriel, os pais buscaram um esporte que pudesse contribuir para melhorar sua respiração. A atividade, porém, ganhou outro significado conforme ele passou a dedicar mais tempo aos treinos.

 

“Minha trajetória com a natação começou aos 7 anos de idade. Por ter bronquite, meus pais optaram em me colocar em um esporte que pudesse condicionar melhor minha respiração, e o que virou algo apenas por saúde acabou virando parte da minha vida toda praticamente”, conta.

 

Na infância, a rotina de Gabriel já era marcada pela conciliação entre escola e treinamento. Como os pais trabalhavam durante todo o dia, ele permanecia na escola e dividia o tempo entre os estudos e a piscina. Foi nesse período que começou a enxergar a natação de outra maneira.

 

“Eu comecei a perceber que a natação deixou de ser apenas uma atividade quando eu olhei e me vi dentro da equipe. Como meus pais trabalhavam o dia todo, eu ficava na escola, revezando entre estudar e treinos. Com isso, a piscina se tornou minha casa também, e isso fez com que eu pensasse em tirar o maior proveito disso. Assim, comecei a me dedicar a crescer mais”, explica.

 

O processo de transformação de uma criança que praticava esporte por diversão em um atleta comprometido também trouxe aprendizados. Para Gabriel, uma das principais dificuldades do início foi compreender que a rotina de um atleta exigia responsabilidade e dedicação, algo que precisou ser assimilado ainda durante a infância.

 

“A principal dificuldade no começo era entender e amadurecer a ideia de que um atleta tinha compromisso por completo com aquilo. Eu ainda era uma criança e, por mais que amasse e quisesse sempre nadar, tudo era divertido, mas havia as responsabilidades de nadar bem”, afirma.

 

Com o passar dos anos, a dedicação passou a fazer parte da rotina. Atualmente, o treinamento envolve dois períodos diários, além da preparação física na academia. Para Gabriel, o rendimento não depende apenas do tempo passado dentro da piscina, mas de uma série de fatores que fazem parte da preparação de um atleta.

 

“A rotina de treino conta com dobras, dois treinos por dia, sem contar a academia. O treino não é só ‘nadar’. É dormir bem, alimentar-se bem, respeitar que talvez aquele dia não seja tão bom, mas que dias melhores vão vir e está tudo bem. Respeitar a transição e identificar os déficits são essenciais para um bom condicionamento”, relata.

 

Entre as competições que marcaram a carreira, Gabriel aponta o Campeonato Sul-Americano Master de Buenos Aires, realizado em 2024, como o principal momento. Na competição, o atleta conquistou medalha e relaciona o resultado ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

 

“A competição mais marcante, claramente, foi o Sul-Americano Master de Buenos Aires, em 2024. Fui medalhista e isso, de certa forma, mostrou que todo cansaço e dedicação valeram a pena”, afirma.

 

Outro momento lembrado pelo atleta aconteceu no Campeonato Brasileiro Master, em 2023. O resultado no pódio teve importância na trajetória e antecedeu a manutenção do título por mais dois anos.

 

“Talvez, o dia que eu enxerguei subindo ao pódio do Brasileiro Master, em 2023, e sendo defensor do título por mais dois anos, fez bastante diferença, com certeza”, recorda.

 

A trajetória de Gabriel também tem a participação da família. Entre as pessoas que tiveram influência em sua relação com a natação, ele destaca o pai, principalmente pelo incentivo durante os primeiros anos e pela maneira como ajudou a manter o esporte associado também à diversão.

 

“Sem dúvidas, meu pai foi a pessoa que mais me incentivava e me fazia amar cada vez mais a natação. Desde o começo, eu nunca me senti cobrado, e ele sempre fez com que a natação fosse também minha diversão, e eu levo isso até hoje”, conta.

 

Para o atleta, a experiência acumulada ao longo dos anos também permite uma avaliação sobre a formação de nadadores em Mato Grosso do Sul. Gabriel considera que o Estado possui equipes e profissionais capazes de desenvolver atletas, mas aponta a necessidade de ampliar o incentivo à modalidade.

 

“A natação no Estado é uma natação que forma atletas muito fortes e excelentes. Temos times e comissão técnica que moldam e formam verdadeiros atletas, porém, talvez um maior incentivo seria necessário”, avalia.

 

Segundo Gabriel, uma das dificuldades enfrentadas pelos atletas está relacionada aos custos necessários para manter uma carreira esportiva. Ele compara a estrutura disponível em Mato Grosso do Sul com a de equipes de outros locais e aponta o patrocínio como um dos fatores que podem influenciar a permanência dos competidores no esporte.

 

“Os times de fora possuem mais patrocínios e, por ser um esporte caro, alguns atletas ainda não conseguem se manter direito”, afirma.

 

Mesmo depois de anos de dedicação e de conquistas em competições, Gabriel não considera que a relação com a natação tenha chegado ao fim. Aos 31 anos, ele afirma que os principais objetivos construídos ao longo da trajetória já foram alcançados, mas ainda existe uma competição que desperta seu interesse: o Mundial Master.

 

“Meus objetivos foram cumpridos dentro da natação, mas, como um bom atleta, o Mundial Master ainda desperta um pouco de carinho”, diz.

 

A possibilidade de disputar uma competição mundial representa, portanto, um novo objetivo dentro de uma trajetória que começou ainda na infância. O caminho percorrido desde os primeiros treinos, motivados inicialmente pela busca por um melhor condicionamento respiratório, passou por anos de treinamento, participação em equipes, pódios e títulos.

 

Ao falar sobre o que diria para quem está começando ou pretende seguir no esporte, Gabriel encerra com uma referência bem-humorada à animação “Procurando Nemo”, resumindo em poucas palavras a disposição necessária para continuar na modalidade.

 

“A mensagem que deixo para quem realmente quer é: ‘Continue a nadar, continue a nadar…’”, brinca.

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