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“A linguagem da bike é universal”: como o Gigante MTB transformou vídeos de prova em conexão entre atletas

da redação - 7 de abr de 2026 às 15:28 30 Views 0 Comentários
“A linguagem da bike é universal”: como o Gigante MTB transformou vídeos de prova em conexão entre atletas Da Redação

“A linguagem da bike é universal e quero levar isso aonde eu for.” A frase resume a forma como o criador de conteúdo conhecido como Gigante MTB enxerga o próprio trabalho dentro do mountain bike. Com quase 90 mil seguidores nas redes sociais, ele construiu um espaço que vai além da cobertura de provas e passou a registrar histórias, bastidores e experiências que cercam a modalidade.

 

O início, segundo ele, não teve planejamento. “O Gigante MTB surgiu através de algo despretensioso, uma brincadeira. Quando houve muitas procuras de provas, comecei a perceber que isso poderia ser meu trabalho e os números representavam muito isso”, afirma. A demanda crescente por registros e a repercussão dos conteúdos indicaram um caminho possível de profissionalização.

 

Hoje, ele se posiciona de forma clara dentro desse cenário. “Eu me defino como criador de conteúdo e pioneiro na maneira de fazer o trabalho de narração e filmagem, de forma inclusiva, mostrando todos os tipos de atletas em uma prova”, diz. A proposta envolve diferentes camadas de uma competição: “Desde a divulgação da prova, bastidores, histórias, memes, chegadas, superação e a promoção da bike, seja qual for o nível”.

 

A relação com a modalidade ultrapassa o trabalho. “Hoje não consigo ver minha vida sem a bike. É meu trabalho, minha vida. Acordo e durmo pensando, falando com pessoas, falando sobre eventos, produzindo conteúdo”, relata. Mesmo após a cobertura de eventos, ele mantém a prática. “Não tem como voltar de um evento e não pegar a bike e sair para girar. A adrenalina e a emoção estão lá em cima”.

 

O crescimento do mountain bike nos últimos anos também é percebido por quem acompanha de perto o ambiente das provas. “A bike tem crescido demais. Na pandemia teve um aumento significativo, a busca pela saúde, contato com a natureza. As provas hoje são um acontecimento antes, durante e depois. Quem pedala, quem vai em um evento, se apaixona”, afirma.

 

Com a ampliação do alcance nas redes, ele reconhece a influência que exerce sobre o público. “Eu sei da minha relevância e influência no segmento e no meio da bike. Eu prezo sempre pela segurança na prática da modalidade. Seja onde for, nunca vá sem capacete”, pontua. Ao mesmo tempo, destaca aspectos culturais do esporte. “O clima da bike é diferente, o universo, os bons costumes, a parceria, a amizade, a boa e velha resenha”.

 

Entre as situações que mais chamam atenção nas provas, ele cita episódios que reforçam esse espírito coletivo. “Já vi em provas adversários se ajudando com problemas mecânicos. A vitória do outro é sempre a sua também”, relata. Esse tipo de cena, segundo ele, ajuda a construir a narrativa que atrai o público.

 

Os conteúdos que ganham maior alcance, na avaliação dele, nem sempre são os mais elaborados. “Os conteúdos mais simples, que carregam mensagem, esses viralizam. Sejam de atletas PCD, os super-humanos, os que não inventam desculpas para a vida, seja uma chegada de tirar o fôlego, um perrengue empurrando a bike ou uma câimbra”, explica. Para ele, o diferencial está na forma de registrar. “Poder registrar tudo isso com a sensibilidade que o momento merece é incrível”.

 

A prática do mountain bike também cumpre um papel pessoal. “Sim, eu pedalo. É onde coloco meus pensamentos em dia, alinho minhas ideias, busco inspiração. Onde eu pedalo tem muitos pés de fruta, goiaba, manga. A bike te conecta, te deixa mais leve. Onde o corpo cansa e a mente descansa”, diz.

 

Produzir conteúdo em eventos com grande número de participantes traz desafios operacionais. “O desafio é se reinventar, ser inclusivo cada vez mais, mostrar desde o elite ao ‘peba’, incentivar todos, valorizar. Todos querem um vídeo, uma resenha. Então é um grande desafio em provas com 500 a 1000 atletas”, afirma.

 

Ele também relata que nem sempre há compreensão sobre o trabalho realizado durante as provas. “Não digo preconceito, mas talvez uma vez ou outra aparece alguém que não conhece o trabalho e diz que atrapalha, ou que o atleta não gosta. Talvez por desconhecerem como é feito. O atleta ama, adora, eles ficam esperando os vídeos”, comenta. Apesar disso, mantém a linha de atuação. “Sempre tive comigo: fazer para quem gosta e para quem quer. Nunca conseguiremos agradar a todos”.

 

Para quem está começando no esporte, a orientação é direta. “A mensagem é ir no seu ritmo, aproveitar o momento, se desafiar e se descobrir. Ir em um evento é apaixonante, fazer uma prova”, afirma.

 

Sobre os próximos passos, ele aponta continuidade e expansão. “Nas trilhas, nunca deixar de girar. Nas redes sociais, conhecer outras cidades, mostrar mais atletas, seus lugares e suas culturas”, diz. E reforça a ideia que guia seu trabalho: “A linguagem da bike é universal e quero levar isso aonde eu for”.

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