Da Redação
“Nem todo dia é para render no máximo. A constância, no longo prazo, é o que realmente constrói resultados sólidos.”
A frase resume a forma como Ivan Carlos dos Santos de Lima passou a encarar o esporte — e também o próprio corpo — desde que decidiu transformar a corrida de rua em um compromisso diário. Nascido em 27 de maio de 1993, em Campo Grande (MS), e atualmente morando em Jardim (MS), Ivan começou a correr em março de 2025, aos 31 anos, depois de já ter inserido o crossfit na rotina no final de 2024.
Segundo ele, a corrida surgiu inicialmente como um desafio pessoal, sem grandes pretensões competitivas. “No início, a corrida surgiu como um desafio pessoal, mas rapidamente se transformou em algo muito maior. A evolução foi rápida e isso me motivou a levar a corrida a sério, não apenas como atividade física, mas como um compromisso diário comigo mesmo”, relata. A resposta do corpo e os efeitos mentais percebidos a cada treino ajudaram a consolidar a prática. “A cada treino e prova, percebi que o corpo respondia e a mente ficava mais forte.”
Antes mesmo de estruturar os treinos de corrida, Ivan já praticava crossfit, modalidade que considera determinante para a base física que construiu. “O crossfit entrou na minha rotina no final de 2024, antes mesmo de eu começar a correr de forma estruturada. Ele foi fundamental para minha evolução como corredor, principalmente no ganho de força, resistência muscular e estabilidade”, explica. Para ele, a combinação das duas modalidades permitiu sustentar volumes maiores de treino e intensidades mais altas, com menor risco de interrupções por lesão.
Na avaliação prática dessa conciliação, os ganhos vão além do condicionamento. “Os principais ganhos foram a melhora da potência, da postura e da eficiência mecânica na corrida. Além disso, o fortalecimento geral do corpo ajudou muito na prevenção de lesões, permitindo treinar com mais constância e qualidade, mesmo em períodos de carga elevada”, afirma.
Atualmente, a rotina semanal inclui crossfit de segunda a sábado, sem pausas. A corrida aparece quatro vezes por semana, com sessões de intensidade elevada, treinos regenerativos e um treino longo em ritmo confortável. Manter esse volume em Mato Grosso do Sul, segundo Ivan, exige adaptações constantes. “O maior desafio em Mato Grosso do Sul é o clima, principalmente o calor intenso”, diz. A solução foi ajustar horários e aceitar as condições disponíveis. “Hoje treino no sol, na chuva e em diferentes condições, buscando sempre preparar o corpo para qualquer cenário.” Como parte desse processo, ele também planeja ampliar os ambientes de treino. “Vou passar a incluir treinos em estradas de terra para ampliar essa adaptação.”
Entre as provas disputadas até agora, uma em especial marcou sua trajetória. A São Silvestre de Campo Grande, em 2025, nos 5 quilômetros, foi o último desafio do ano. “Foi a última prova do ano e eu cheguei com grande expectativa de vencer”, conta. A falta de familiaridade com o percurso e o clima pesaram no resultado. “Como nunca havia corrido na cidade, não me preparei corretamente para o clima e as características do percurso.” Ainda assim, o desempenho foi suficiente para um resultado expressivo. “Conquistei o 6º lugar geral e o 1º lugar na categoria.” Para Ivan, mais do que a colocação, o aprendizado foi determinante. “Apesar de não ter vencido no geral, fiquei muito feliz com o resultado, principalmente pelo aprendizado que a prova me trouxe. A partir dali, mudei minha forma de treinar e evoluí muito.”
A convivência com o desgaste físico e mental é parte da rotina de quem treina duas modalidades exigentes. Ivan diz que o principal critério é a escuta do próprio corpo. “Procuro ouvir o corpo e respeitar os sinais. Nem todo dia é para render no máximo.” No aspecto mental, ele reforça a importância de manter clareza sobre os motivos que o levaram a começar. “Lembro sempre do porquê comecei e entendo que a constância, no longo prazo, é o que realmente constrói resultados sólidos.”
Correr em Mato Grosso do Sul, segundo ele, tem características próprias que impactam diretamente a preparação. “O clima é o fator mais desafiador. O calor exige uma preparação física e mental maior.” As limitações de percurso e estrutura também fazem parte do cenário. “Os percursos variam bastante e nem sempre são ideais, mas isso acaba formando atletas mais resilientes e adaptáveis.”
No campo das referências, Ivan diz se inspirar em atletas que valorizam o processo mais do que resultados imediatos. “Me inspiro em atletas que valorizam o processo, a disciplina e a constância. Um exemplo é o Melki Messias.” Para ele, esse tipo de postura influencia diretamente seus próprios objetivos. “Isso me mostra que a evolução vem do trabalho diário, não apenas do talento.”
Os próximos desafios já estão definidos. “Meu principal objetivo agora é baixar meu pace nos 21 km para a casa dos 3’40” por quilômetro e, em seguida, encarar o desafio da maratona, os 42 km.” A meta, segundo ele, é chegar preparado. “Quero chegar forte e competitivo.”
Para quem ainda encontra dificuldades para começar a correr ou incluir o crossfit na rotina, Ivan resume o conselho de forma direta. “O primeiro passo é começar, mesmo sem condições perfeitas. Respeite seu ritmo, seja constante e confie no processo. Com disciplina e paciência, os resultados aparecem.”