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“A dedicação e a obsessão vencem o talento”, diz jovem atleta de MS ao explicar evolução no voleibol

da redação - 6 de mai de 2026 às 17:49 127 Views 0 Comentários
“A dedicação e a obsessão vencem o talento”, diz jovem atleta de MS ao explicar evolução no voleibol Da Redação

“A dedicação e a obsessão vencem quem tem talento”. A frase resume a forma como o jovem atleta Vitor Hugo Cardena, nascido em 16 de maio de 2005, em Iguatemi (MS), passou a enxergar o esporte após trocar o futsal pelo voleibol e encontrar uma nova perspectiva dentro das quadras.

 

A relação com o voleibol começou de forma tardia. Até 2022, Vitor mantinha uma rotina intensa no futsal. “Eu sempre fui um praticante do futsal, jogava quase que diariamente até o ano de 2022”, afirma. Na época, ele também carregava uma visão comum entre jogadores da modalidade. “Devido a esse contato com o futsal, eu sempre tive aquele preconceito que quase todo jogador de futsal tem com quem joga vôlei.”

 

A mudança veio após o fim do ciclo escolar. Sem motivação para continuar no futsal e com o grupo de amigos seguindo caminhos diferentes, ele buscou outra atividade. “Eu não consigo ficar parado, existe em mim uma necessidade de praticar algum esporte, e foi aí que surgiu o voleibol.”

 

O primeiro contato mais frequente com a modalidade aconteceu por meio do Projeto Vips, em Guia Lopes da Laguna. Mesmo assim, a adaptação não foi imediata. “Eu já havia tido alguns contatos com o voleibol graças ao projeto Vips aqui em Guia Lopes, mas nunca quis me aprofundar muito, por me considerar muito abaixo do nível e achar um esporte mais técnico e difícil.”

 

O cenário começou a mudar a partir de um convite informal. “Alguns amigos de escola me convidaram para jogar na brincadeira. Como todo mundo lá jogava brincando, eu me sentia mais à vontade.” A partir daí, o interesse cresceu até virar compromisso. “Passaram-se alguns meses e eu continuava jogando, o voleibol tinha começado a me agradar, foi aí então que decidi começar a treinar no projeto.”

 

O início nos treinos foi marcado por dúvidas e dificuldades. “No começo eu quis desistir, via meninos que já tinham mais experiência jogando num nível maior, e parecia que eu não saía do lugar.” A sensação de estagnação persistiu por um período. “Passaram-se meses de treino e eu não notava evolução em mim, parecia que eu estava no mesmo lugar de quando comecei.”

 

A permanência no esporte teve influência direta de professores e colegas. “Foi aí que entraram os incentivos da professora Thaismila e do Edgar, que acreditaram em mim até mesmo quando eu duvidava, e me motivaram a continuar.” A partir disso, ele percebe mudanças no próprio desempenho. “Desde então, tenho estado em constante evolução, muito longe do nível de um jogador profissional, mas com certeza evoluí muito desde que comecei.”

 

Além da prática, o atleta também passou a investir na parte teórica. “Estou sempre buscando conteúdos relacionados a ele, assistindo vídeos e estudando como posso evoluir. Acredito que a parte teórica é tão importante quanto a prática.”

 

Entre os desafios enfrentados, ele destaca a questão cultural envolvendo a modalidade. “O principal desafio que enfrentei foi, sem dúvida, o preconceito. O mesmo preconceito que eu tinha antes de começar a jogar, eu senti na pele.” Segundo ele, essa percepção ainda está presente. “Infelizmente, a cultura brasileira trata o voleibol como um esporte feminino. Hoje vejo o quão errado estava.”

 

Para Vitor, o esporte cumpre um papel além da competição. “O voleibol, assim como qualquer outro esporte, é um espaço de inclusão e muitas vezes é uma válvula de escape para quem pratica.”

 

A rotina atual exige organização para conciliar diferentes responsabilidades. “Durante a manhã trabalho, à tarde realizo tarefas da faculdade, e me organizo para que, nos dias de treino, eu consiga ir.” Ele reconhece o desgaste, mas mantém a continuidade. “A rotina de trabalho, estudos e treinos tem sido cansativa, mas tenho conseguido conciliar tudo.”

 

No cenário estadual, ele avalia que há evolução, mas aponta limitações. “O voleibol no MS tem estado em constante evolução, mas ainda carece muito de investimentos e incentivos, seja no esporte escolar ou até mesmo no profissional.” Para ele, a falta de apoio impacta diretamente na projeção de atletas. “O que falta para atletas ganharem maior projeção é o incentivo e investimento, pois o voleibol tem custos, e muitas vezes os projetos atuam de forma benéfica.”

 

O momento mais marcante até agora está ligado à primeira conquista em competição. “Ainda não havia subido num pódio pelo time em que participo. Mesmo sendo terceiro lugar, foi o primeiro de muitos que ainda virão.”

 

Apesar da dedicação, os planos futuros não passam pela carreira como atleta profissional. “Desde o começo, nunca foi ser um atleta profissional, e isso não mudou.” Atualmente, ele cursa Educação Física com outro objetivo. “Quero ser treinador. Já atuo como voluntário no Projeto Vips e desejo me formar para continuar trabalhando e ajudando no projeto.”

 

Ao olhar para o próprio percurso, ele reforça os aprendizados que pretende levar adiante. “Podemos nascer sem talento, mas aprendi que a dedicação vence quem tem talento. Quem é dedicado busca sempre estar em constante evolução.” Ele também ressalta a importância do equilíbrio. “Não se comparar é tão importante quanto ser dedicado, porque cada um tem um tempo diferente.”

 

Como orientação para outros jovens, ele aponta aspectos pessoais e comportamentais. “Nunca desistir, não se comparar. A autocobrança deve existir, mas de forma equilibrada, sem exigir mais do que se pode entregar.” Para ele, as dificuldades fazem parte do processo. “Os desafios sempre vão existir, então não devemos parar por conta deles.”

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