Da Redação
A corrida de rua mudou completamente a rotina e a forma de enxergar a vida de Bruna Milena Dornel Alves, de 29 anos, natural de Bela Vista, no interior de Mato Grosso do Sul. Ela começou a correr por acaso, em 2023, e hoje se prepara para encerrar mais uma temporada de competições no circuito G2 Esportes, um dos principais do Estado.
“A corrida entrou na minha vida através do box de CrossFit onde eu treino. Nosso coach nos convidou para participar de uma prova de trail run da G2 Esportes, em 2023. Fui completamente sem treino e lembro que na noite anterior até pensei em desistir”, conta. A prova era de 7 quilômetros, e ela admite que, naquele momento, não se sentia preparada nem para correr 1 km. Ainda assim, decidiu encarar o desafio.
A experiência, segundo Bruna, foi transformadora. “Saímos da nossa cidade às três da manhã pra chegar a tempo. No fim, participei da prova e foi simplesmente incrível. O percurso era lindo, dentro do balneário Nascente Azul. Me emocionei durante o trajeto e cheguei muito feliz por ter concluído.” A sensação de superação marcou o início de uma nova fase.
No ano seguinte, 2024, ela descobriu que a prova fazia parte de um circuito com quatro etapas e decidiu completar todas. “Começamos o ano no Morro do Paxixi, depois fomos pra Bodoquena, mas eu ainda corria sem treinar especificamente — só porque amava estar ali, nas trilhas.” Ainda assim, a vontade de melhorar fez com que ela procurasse um treinador. “No final de maio, resolvi focar de verdade e procurei o treinador Johnatan Reis, da equipe MTR. Comecei a seguir as planilhas e tudo mudou: passei a sofrer menos nas provas e tudo começou a fazer ainda mais sentido.”
O esforço deu resultado. “Participei das três etapas da G2, encerrando novamente na Nascente Azul — e, pra minha alegria, conquistei meu primeiro pódio lá. Foi pura emoção, porque há pouco tempo aquilo parecia impossível.” O pódio se tornou um marco pessoal. “O que senti naquele dia foi indescritível. Passou um filme na cabeça: cada treino, cada dificuldade, cada vez que não desisti.”
Desde então, a corrida passou a ocupar um espaço fixo na rotina de Bruna. Ela divide o tempo entre treinos, trabalho e compromissos pessoais. “Treino corrida três vezes por semana, geralmente à tarde, conforme consigo encaixar na rotina. Tenho um pequeno restaurante durante o dia, à noite trabalho com lanches e também sou consultora das máquinas Ton. Por isso, acabo treinando quase sempre sozinha.” Nos fins de semana, os treinos longos são compartilhados com amigas. “Esses treinos exigem mais da mente, então é sempre bom ter companhia. Uma incentiva a outra e tudo fica mais leve.”
Bruna afirma que a corrida foi um divisor de águas em sua vida. “A rotina do dia a dia nem sempre é fácil, e todas as vezes que saio pra correr, mesmo com a cabeça cheia, volto pra casa outra pessoa: feliz, aliviada e orgulhosa de mim por ter ido. A corrida nos torna mais fortes — não só fisicamente, mas também mental e espiritualmente.” Ela também destaca o impacto das amizades criadas nesse meio. “As amizades que fiz nesse caminho são incríveis: pessoas que te incentivam e torcem por você, mesmo sem te conhecer. É uma energia única. Todo mundo merece viver isso.”
As mudanças, diz ela, foram muito além do corpo. “Sempre me alimentei muito mal, e hoje me preocupo mais com o que como. Troquei as ‘saidinhas’ e cervejinhas pelos treinos longos de sábado de manhã. Até na fé me fortaleci mais — antes, acordar cedo no domingo era impossível; hoje, acordo feliz pra ir à igreja agradecer a Deus pela semana.” Ela também aprendeu a lidar melhor com a procrastinação. “Hoje consigo manter a constância nos treinos, algo que antes parecia impossível pra mim.”
Apesar de participar de competições, Bruna garante que o espírito competitivo não é o que mais a move. “Acho que um pouco de cada: lazer, superação e competição. Amo conquistar pódios, mas não vejo as outras pessoas como adversárias. Gosto de incentivar e ser incentivada durante o percurso.”
Quando fala sobre os desafios enfrentados pelos atletas amadores de Mato Grosso do Sul, ela aponta a falta de estrutura como um dos principais obstáculos. “Acredito que condições melhores pra treinar já ajudariam muito. Grande parte das cidades não tem pista de atletismo em boas condições, e isso faz toda a diferença. A gente se vira como pode, mas com mais apoio, com certeza iríamos mais longe.” Bruna também destaca o potencial de novos talentos. “Na minha cidade — e tenho certeza que em outras também — há muitos jovens talentosos, apaixonados pela corrida, que fazem o que podem pra melhorar. Fico imaginando o quanto essa galera poderia crescer se tivesse melhores condições.”
Para quem quer começar a correr, mas ainda tem receio, ela deixa um conselho simples. “A principal dica é: não se compare com ninguém. A comparação é o seu pior inimigo. Foque em você, no que é hoje e no que quer se tornar amanhã. Valorize cada conquista — cada 200 metros corridos sem parar já é uma vitória. Comemore sempre, porque você está muito à frente de quem escolheu ficar no sofá.”
Atualmente, Bruna se prepara para as últimas provas do ano. “Tenho quatro provas marcadas pra este final de ano — três de trilha e uma de rua: Nascente Azul Trail Run, Corrida do Calcário em Bela Vista, Bonito 21k e Corrida Java Trail Run.” Ela explica que o segundo semestre foi mais difícil por conta de questões de saúde. “Estava com anemia, ferro, ferritina e algumas vitaminas baixas. Mesmo assim, não deixei de treinar nem de participar das provas, mas tudo ficou mais difícil. Agora estou tratando e espero, em nome de Jesus, conseguir correr bem nas próximas provas — curtindo o percurso e cruzando a linha de chegada com aquele sorrisão de sempre e com aquela sensação de que dei meu melhor.”
Bruna encerra reforçando o quanto o esporte impactou sua vida. “A corrida me tornou mais forte em todos os sentidos. Cada treino é uma superação e uma forma de agradecer a Deus por tudo o que consigo fazer.”