Da Redação
“A ambição vence o medo”. A frase dita pela jovem atleta Sara Fleitas Torres Contrera resume a forma como ela encara a rotina no esporte e os desafios que encontrou desde a infância. Nascida em Campo Grande, em 9 de dezembro de 2011, Sara cresceu entre Porto Murtinho e Aquidauana, cidades onde começou a construir sua relação com a bola ainda criança.
Hoje, aos 14 anos, ela divide a rotina entre futsal e futebol de campo, modalidades que pratica desde pequena. Apesar de atuar nas duas, já definiu qual caminho pretende seguir no futuro. “Prefiro o futebol de campo. Quero ser profissional, se Deus quiser, no campo”, afirmou.
As primeiras lembranças ligadas ao esporte vêm das partidas improvisadas na rua, muitas vezes ao lado de meninos e dos primos de Dourados. Sara conta que jogava descalça e não se importava com os machucados. “Arranquei unha, saiu casca, mas eu era feliz. Eu amava aquilo e amo até hoje. O futebol é minha paixão”, relembrou.
Segundo ela, o incentivo também veio da família. Sara lembra que, ainda muito nova, ouviu do tio Ricardo que poderia se tornar jogadora de futebol. “Com 2 para 5 anos, meu tio Ricardo disse que eu seria jogadora. Desde pequena eu sempre quis jogar futsal e futebol”, contou.
Antes de decidir seguir no futebol, ela experimentou outras modalidades. Passou pelo tênis, vôlei, basquete, handebol e tênis de mesa. Mesmo dizendo que conseguia se adaptar bem em todos os esportes, percebeu que a ligação com a bola era diferente. “Eu nasci para o esporte. Mas quando falei ‘não, eu gosto mesmo é de futsal e futebol’, ficou fácil escolher”, disse.
A jovem afirma que o esporte representa mais do que competição. Para ela, o futebol se tornou também uma forma de enfrentar dificuldades pessoais e emocionais. “O que me atrai é que esse esporte, além de ser um esporte, é um sentimento para mim. Você passa por várias dificuldades, mas elas te mantêm em pé”, explicou.
Durante a entrevista, Sara falou sobre o medo que sentia dentro das quadras e dos campos. Segundo ela, o principal desafio foi lidar com a própria mente e com a insegurança de errar durante os jogos. “Meu maior desafio foi a minha mente. Muitas vezes pensei em desistir, mas Deus me sustentava. Eu rezava e rezo sempre”, afirmou.
Ela contou que precisou mudar a própria forma de pensar para seguir evoluindo no esporte. “Eu falei para mim mesma que não dava para continuar assim. Tinha que mostrar que minha fé era maior que o medo de errar”, declarou.
Uma das lembranças mais marcantes da trajetória aconteceu nos Jogos Escolares do ano passado. Sara terminou a competição como artilheira, com 14 gols marcados em apenas três partidas. “Nunca vou esquecer”, resumiu.
A rotina de treinamentos é dividida entre as exigências do futsal e do futebol de campo. Sara explicou que procura adaptar os trabalhos físicos e técnicos de acordo com cada modalidade. “Nos dias de futsal, foco na velocidade, controle de bola e raciocínio rápido. Já no campo, trabalho mais a parte física, posicionamento e resistência”, relatou.
Além dos treinamentos, ela afirma que também tenta manter organização nos horários de descanso para suportar a sequência de atividades. Mesmo com a rotina intensa, mantém o objetivo de buscar oportunidades no futebol profissional.
Entre as referências no esporte, Sara cita dois nomes conhecidos do futebol brasileiro: Marta e Neymar. Para ela, ambos servem como inspiração dentro e fora de campo.
A atleta também acredita que o esporte teve impacto direto em sua vida pessoal. “Aprendi a ter mais disciplina, responsabilidade e a nunca desistir dos meus sonhos”, afirmou. Segundo ela, o futebol passou a representar uma possibilidade concreta de transformação de vida e de construção de um futuro diferente.
Ao falar sobre o cenário esportivo em Mato Grosso do Sul, Sara avalia que existem atletas talentosos no Estado, mas que ainda faltam oportunidades e visibilidade para os jovens. “Mesmo assim, acredito que, com dedicação, trabalho e fé, é possível conquistar espaço e realizar os sonhos”, comentou.
O principal objetivo agora é conseguir uma oportunidade em clubes ou avaliações que possam abrir portas no futebol de campo. “Quero conquistar tudo aquilo que sonhei desde pequenininha, jogando na rua e sonhando. Se Deus quiser, quero achar uma oportunidade de teste de futebol e realizar esse sonho”, disse.
Por fim, Sara deixou uma mensagem para outros jovens atletas que também desejam seguir carreira no esporte. “O caminho não é fácil. Vão existir dificuldades, críticas e momentos em que dá vontade de parar. Mas quem acredita em si, treina com dedicação e confia em Deus pode conquistar grandes coisas”, concluiu.