Nycollas Gabryel Almeida de Mello, 15, viaja nesta terça-feira para disputar uma medalha em Porto Alegre (RS)

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Ginástica | Luciano Pinheiro | 13/11/2018 13h00

Atleta da Capital vai disputar o sub 15 do Campeonato Brasileiro de Ginástica

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A cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, sedia o Campeonato Brasileiro CAIXA de Ginástica Artística, categorias Juvenil e pré-infantil, de 14 a 18 de novembro. Nesta terça-feira, o jovem Nycollas Gabryel Almeida de Mello, de 15 anos, viaja à capital gaúcha com a esperança de conseguir uma medalha e uma vaga na seleção brasileira de ginástica.

Nycollas, em entrevista ao Esporte Ágil, disse ter inspiração nos atletas da seleção e sonha em se tornar um deles. A oportunidade está no Brasileiro. “Eu vou disputar o quadro geral da categoria sub 15, que consiste nos aparelhos de solo, salto, paralelas, barras, argola e cavalo. Os aparelhos que eu tenho mais chances são o solo e no salto”, completa.

O ginasta é a grande promessa da capital na ginástica artística e conheceu o esporte há 8 anos, através da mãe de um amigo. “Eu era muito ativo, sabe? Daí falaram para a minha mãe me colocar na ginástica que eu iria melhorar. Ela me colocou e eu gostei bastante”, lembra.

Cristo é um dos movimentos mais conhecidos nas argolas, e um dos mais difíceis também (Foto: Luciano Pinheiro)

A rotina de Nycollas, como a de qualquer menino da sua idade, também envolve estudos. Ele conta que sai de casa bem cedo, às 07 horas da manhã, para ir à escola onde fica até meio dia. É nesse horário que o estudante vira atleta. Após o almoço, Nycollas pega seu material e vai para o treino, realizado todos os dias a partir das 13 horas. “Eu vou sozinho. Pego dois ônibus para chegar, mas às vezes meu pai me traz de carro”, relata o jovem que, após os treinamentos, vai para mais um compromisso. Desta vez, para o cuidado do seu corpo nas sessões de fisioterapia, realizadas todos os dias.

Envolvido nessa correria está seu técnico, João Gabriel França, 37 anos, que tem o sonho de formar um campeão brasileiro. Os dois trabalham juntos desde o início e, para o técnico, Nycollas pode ser esse campeão. “Ele tem a oportunidade de disputar a final no solo, mas formar um campeão é muito difícil, então se ele ficar no top 10 já vai ser um resultado de grande gratificação para nós”, ressalta.

João é professor do Centro de Formação de Atletas desde 2010 (Foto: Luciano Pinheiro)

A maior dificuldade apontada por João é a falta de uma equipe multidisciplinar, composta por técnico, nutricionista, psicólogo, ortopedista e um fisioterapeuta. O treinador relata a diferença vista em disputa de campeonatos nacionais, contra atletas de clubes mais consagrados no cenário, como o Flamengo do Rio de Janeiro e o clube Pinheiros, de São Paulo. “Você olha um menino caindo de mau jeito e já vem o médico e o fisioterapeuta atende-lo. Se o Nycollas cai, ele olha pra mim e pergunta ‘e agora?’, e eu respondo que agora nós vamos ao hospital público”, lamenta. Ainda de acordo com o técnico, o clube de Campo Grande é o único a disputar competições tendo na delegação apenas o treinador e o atleta.

Para a disputa do Brasileiro, ambos ganharam passagens aéreas da Fundação Municipal de Esporte (Funesp) e a taxa de inscrição do vereador João Rocha. No entanto, treinador e atleta avaliam que, por se tratar de um esporte de alto rendimento, falta ajuda para viagens que custam cerca de 3, 4 mil reais, levando em conta taxa de inscrição, transporte, hospedagem, alimentação, etc.

CEFAT

Nycollas é atleta do Centro de Formação de Atletas Rose Rocha, juntamente com outros 500 jovens da Capital. O Cefat ganhou novas instalações em agosto deste ano, porém o projeto existe há 30 anos, de acordo com a coordenadora pedagógica ex-atleta, Elaine Mitsuko, 47, que calcula mais de 10 mil crianças atendidas.

Com dois meses de casa nova, o centro de treinamento é praticamente perfeito. Na visão de Elaine, falta somente um fosso, que se trata de um buraco cheio de espuma, onde os alunos têm mais facilidade para aprender movimentos. Mas essa crítica, se é que assim pode se dizer, nem se compara ao problema vivido na última instalação. “A gente sofria com as chuvas. A água transbordava do esgoto e alagava tudo. Se fosse a noite, a gente ia dormir já pensando que quando chegasse estaria tudo encharcado”, relembra.

O Centro de Formação de Atletas está localizado na Avenida Costa e Silva, nº 2371 – Vila Maciel, próximo a rotatória da Coca Cola, e atende a crianças de 5 a 13 anos de idade com matrícula escolar em dia.

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