Bate-Bola | Da redação | 04/12/2007 12h37

Bate-bola: Arilson Lima da Silva

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Arilson Lima da Silva

O Sargento Arilson Lima da Silva é presidente do Codac (Clube de Orientação e Desporto de Aventura de Campo Grande), além de mapeador e árbitro da Confederação Brasileira de Orientação. Em entrevista ao Esporte Ágil, ele falou sobre as características da modalidade de orientação, as ações do Codac e como ele conheceu o esporte.

Esporte Ágil - Como foi a temporada da Orientação em Mato Grosso do Sul?
Sargento Arilson -
O ano de 2007 foi muito bom para a orientação de Mato Grosso do Sul. Realizamos cursos para mapeadores, além das etapas dos campeonatos municipais e estaduais, isto antes da etapa do Campeonato Brasileiro que foi realizado em agosto, em Campo Grande/Sidrolândia, após a etapa do Brasileiro encerramos o Estadual e temos visto que a orientação está crescendo no Estado, entre atletas militares e civis. Estamos apostando na base e na extensão da modalidade para as escolas. Tivemos neste ano o primeiro campeonato do Colégio Avant Garde e também a realização de palestras e uma pista-escola, pelo CMO, FOMS e Codac no Parque das Nações Indígenas, alcançando centenas de atletas. Participamos de eventos apresentando a modalidade, como a Feira de Turismo.
Cito a pessoa do professor Deco, que está inserindo a modalidade em escolas públicas e particulares, e o Major Vargas, pioneiro na orientação brasileira, que está em Campo Grande nos auxiliando no fomento à modalidade. O presidente da Federação de Orientação de Mato Grosso do Sul, Celso Guidini, está com uma equipe muito boa e empenhada em auxiliar os clubes e, consequentemente, os atletas de orientação de todo o Estado. Mas são muitas as pessoas que tem contribuído para o desenvolvimento da orientação em Campo Grande e no Estado.

Esporte Ágil - Já está sendo pensado o calendário e as ações para 2008?
Sargento Arilson -
O calendário da orientação sul-mato-grossense para 2008 já está feito e esperamos um aumento ainda maior no número de praticantes, que hoje se aproxima dos números de 1000 atletas. Buscaremos apoio para os atletas de competição disputar os eventos nacionais e internacionais, e também realizaremos um campeonato estudantil, para fortalecer o esporte entre as crianças e adolescentes, porque a orientação é estimulante em diversos fatores. Quando vejo um atleta terminar uma pista, tenho a certeza de que ele chegou diferente, pois foi estimulado aspectos físicos e também cognitivos, nas áreas de matemática, física, e também virtudes como a perseverança e coragem. Outros fatores interessantes é a eliminação da procrastinação, fato de deixar "as decisões para amanhã": na orientação, o atleta precisa tomar decisões, sendo estimulado também nos aspectos de liderança e gerenciamento de crise. Estes aspectos refletem positivamente no desenvolvimento da criança e adolescente, em sua socialização e educação, e por isso queremos trazer esta modalidade para toda a sociedade.

Esporte Ágil - Quais são os clubes existentes em Mato Grosso do Sul?
Sargento Arilson -
Os clubes registrados são o FOCO (Fronteira Oeste Clube de Orientação) de Amambaí, o CODAC (Centro de Orientação e Desporto de Aventura Campo Grande), o COARA (Clube de Orientação Arara Azul) em Ponta Porá, o COREL (Clube de Orientação Recanto da Laguna) em Bela Vista e COD (Clube de Orientação de Dourados), mas todos estes clubes tem uma história na orientação, que remete à 2001 quando a maioria destes clubes uniram-se para a realização de um campeonato Estadual. Em outubro de 2004, foi fundada da FOMS (Federação de Orientação de Mato Grosso do Sul). No ano de 2005, por muito pouco não foi fundando um clube em Coxim. Agora, estamos torcendo para que Jardim e Nioaque criem seus clubes, pois já possuem atletas na modalidade. Em Campo Grande, temos também o COPE (Clube de Orientação da Polícia do Exército), onde o Major Neves é um orientista que chegou à Campo Grande e muito tem feito pela modalidade, realizando pistas-escola com crianças, adolescentes e militares, mantendo um treinamento constante na cidade.

Esporte Ágil - Quais são as características do esporte orientação?
Sargento Arilson -
A orientação é um esporte praticado em meio à natureza, onde o atleta tem um percurso a cumprir, segundo as determinações de um mapa, que possui simbologia padronizada internacionalmente. Este mapa é chamado de carta de orientação, que vai levar o atleta a buscar os pontos determinados por onde terá necessariamente que passar, chamado de navegação. Conforme as orientações da carta, sobre terreno, vegetação, obstáculos naturais, ele terá que decidir quais caminhos tomar para realizar o percurso em menor tempo possível. As rotas são balizadas de forma que preservem os atletas e também a natureza. O atleta corre com a carta na mão, sempre se orientando sobre o terreno e seu percurso, enquanto toma as decisões dos caminhos que irá tomar. Com todos estes aspectos, o atleta vai enfrentar um gerenciamento de crise, com decisões, escolhas, desenvolvendo sua liderança e iniciativa, persistência e coragem. Há também o aspecto pedagógico, pois não apenas pela competição e seu lado físico, a orientação estimula o trabalho matemático, raciocínio de tempo e distância, estudo da geografia do terreno, além de um rico contato com a natureza.
O atleta quando chega ao final de sua pista, mesmo que não tenha sido o mais rápido, ele é um campeão, pois superou uma série de obstáculos, algumas vezes com acertos e erros e aprendendo com estes erros. Isto é fascinante, pois a orientação é um esporte de família, que pode unir gerações. Existe a subdivisão de categorias em idade, sexo e dificuldade, onde todos podem participar, dentro de suas possibilidades. Na categoria Elite, o atleta percorre distâncias mais longas e difíceis, tendo que atravessar terrenos mais difíceis e de maior dificuldade de orientação, sendo sempre utilizada a bússola e mapa para isso.

Esporte Ágil - Como foi seu início na orientação?
Sargento Arilson -
Depois da escola normal, quando entrei na Escola de Sargentos, após uma semana começaram a selecionar atletas para a disputa de um campeonato entre as Armas. Meu grupo tinha 30 pessoas, os atletas foram sendo selecionados e quando percebi, havia apenas 10 pessoas. Eu já era sargento temporário em Campo Grande e tinha noção que se eu "sobrasse", iria cair na equipe da faxina. O Comandante já olhava para nós como a equipe de manobra dele, mas quando ele se distraiu, eu saí de forma e fui para um grupo de atletas. Quando cheguei lá, o grupo era de orientistas. Eu ainda não conhecia o esporte e o sargento não estava muito disposto a ensinar para ninguém, dizendo que só queria pessoas que já conhecessem a modalidade. Quando ele perguntou s e eu conhecia a orientação, tive que dizer que sim. Durante três noites estudei a modalidade nos manuais, após todos terem ido dormir, para não fazer feio; inicialmente não consegui a vaga, mas fiquei treinando e após alguns meses, já estava na equipe principal. Isto tudo em meados de 1995. Com força de vontade, aprendi a modalidade, me apaixonei pela orientação, e de lá para cá tenho participado do processo de fomento à orientação aqui em Campo Grande, mapeando no final dos anos 90 e início desta década, várias áreas para a prática do esporte, em terrenos que possuíam cartas antigas, mas que foram modificados pela ação do homem, e atualmente atuando como presidente do Codac.

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